Petróleo reacende alerta de inflação e pode travar cortes de juros no Brasil
Petróleo reacende alerta de inflação e trava cortes de juros

O recente aumento nos preços do petróleo reacendeu o alerta para a inflação no Brasil e pode travar o processo de queda dos juros. A alta da commodity, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e medidas dos Estados Unidos contra o Irã, gera incertezas sobre o rumo da política monetária brasileira.

Impactos na inflação e nos juros

Especialistas apontam que o petróleo mais caro pressiona os custos de transporte e produção, elevando a inflação ao consumidor. Isso pode levar o Banco Central a interromper ou reverter os cortes na taxa Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano. O mercado já precifica uma possível alta nos juros futuros, com impactos diretos no consumo e no investimento.

Segundo relatório do Itaú, "a alta do petróleo adiciona 0,3 ponto percentual à projeção de IPCA para 2026, elevando o risco de estouro da meta". A meta de inflação para 2026 é de 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou menos.

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Reação do mercado financeiro

O Ibovespa recuou nesta quarta-feira (8), mesmo com a forte alta das ações de petroleiras, como Petrobras e Prio. O índice caiu 0,8%, aos 128.500 pontos, refletindo o temor de que a inflação mais alta force o Banco Central a manter juros elevados por mais tempo. As ações da Petrobras subiram 2,3%, mas o movimento não foi suficiente para sustentar o índice.

O dólar também reagiu, subindo 0,5% frente ao real, cotado a R$ 5,20. A moeda americana é beneficiada pela busca por proteção em meio à aversão ao risco global.

Cenário internacional

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o petróleo pode subir "um pouquinho" com as medidas contra o Irã, que incluem sanções e ameaças de ação militar. Trump também sinalizou que os EUA "provavelmente" voltarão a atacar o Irã ainda hoje, aumentando a tensão na região.

O Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, e qualquer interrupção em sua produção pode elevar ainda mais os preços. O barril do Brent, referência global, já ultrapassou os US$ 90, acumulando alta de 15% no ano.

Perspectivas para o Brasil

O governo brasileiro acompanha com atenção o cenário, pois a inflação elevada compromete a popularidade e a recuperação econômica. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que a equipe econômica está vigilante. "Estamos monitorando os preços do petróleo e seus impactos na inflação. Vamos adotar as medidas necessárias para proteger a economia", disse Haddad em entrevista.

Para os investidores, a recomendação é cautela. "O cenário de inflação alta e juros elevados favorece ativos de renda fixa atrelados ao CDI e ao IPCA, como títulos públicos e CDBs", orienta a analista da XP Investimentos, Marina Silva. "Já a renda variável deve sofrer com a volatilidade, especialmente setores mais sensíveis a juros, como varejo e construção civil."

O que esperar da Selic

O mercado já projeta que o Banco Central pode interromper o ciclo de cortes na Selic na reunião de novembro. A expectativa é que a taxa permaneça em 14,25% até o final de 2026, com possibilidade de alta se a inflação não ceder. O Copom já sinalizou que a política monetária dependerá da evolução das expectativas de inflação e do cenário externo.

"O petróleo é uma variável-chave para a inflação brasileira. Se os preços continuarem subindo, o BC pode ser forçado a subir os juros, o que seria um duro golpe para a economia", avalia o economista-chefe da XP, Caio Megale.

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