Moody's alerta: risco de crédito sobe na AL e Brasil é destaque
Moody's alerta: risco de crédito sobe na AL e Brasil

A agência de classificação de risco Moody's Investors Service divulgou um relatório nesta terça-feira (28) alertando para o aumento dos riscos de crédito na América Latina, com destaque para o Brasil, onde famílias e pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam pressão crescente.

Risco de crédito se intensifica na América Latina

De acordo com o relatório "Credit Trends: Latin America", a Moody's observa uma deterioração nas condições de crédito na região, impulsionada por juros elevados, inflação persistente e desaceleração do crescimento econômico. A agência projeta que a taxa de inadimplência das PMEs brasileiras deve subir para 4,8% em 2026, ante 3,2% no ano anterior, enquanto a inadimplência das famílias pode atingir 5,5%.

"A combinação de taxas de juros altas e crescimento lento está comprimindo os tomadores mais vulneráveis", afirmou Maria Silva, analista da Moody's para a América Latina. "No Brasil, as famílias de baixa renda e as PMEs, que já operam com margens estreitas, são as mais afetadas."

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Famílias e PMEs brasileiras são as mais afetadas

O relatório destaca que o Brasil concentra os maiores riscos entre as principais economias da região. A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, e a inflação acima da meta pressionam o orçamento das famílias, que já enfrentam alto endividamento. As PMEs, por sua vez, sofrem com a redução do consumo e a dificuldade de acesso a crédito mais barato.

Segundo a Moody's, os setores mais expostos são o comércio varejista, serviços e construção civil. "Esses segmentos são intensivos em mão de obra e dependem fortemente do crédito para capital de giro", explicou Silva. "Com a demanda fraca e os custos financeiros elevados, a probabilidade de default aumenta significativamente."

Moody's destaca fatores macroeconômicos

Além dos juros altos, a Moody's cita o crescimento do PIB abaixo do potencial – estimado em 1,8% para 2026 – e a incerteza fiscal como fatores que agravam o cenário. A agência também menciona que a desvalorização do real frente ao dólar eleva os custos de insumos importados, afetando especialmente as PMEs exportadoras e importadoras.

O relatório ressalta que, embora o sistema financeiro brasileiro seja bem capitalizado, a deterioração da qualidade dos ativos pode pressionar os bancos, que já estão reduzindo a oferta de crédito para segmentos mais arriscados. "As instituições financeiras estão mais seletivas, o que dificulta ainda mais a situação das empresas e famílias que precisam de financiamento", completou a analista.

Perspectivas e recomendações

A Moody's projeta que o ambiente de crédito deve permanecer desafiador pelo menos até meados de 2027, quando a expectativa é de início de um ciclo de corte de juros. A agência recomenda que os governos da região implementem reformas estruturais para melhorar o ambiente de negócios e reduzir a vulnerabilidade externa.

No Brasil, a Moody's aponta que o cumprimento do arcabouço fiscal e a aprovação de reformas tributária e administrativa são essenciais para restaurar a confiança dos investidores e aliviar a pressão sobre as famílias e PMEs. Enquanto isso, a orientação para bancos e investidores é de cautela, com foco na gestão de risco de crédito e na diversificação de carteiras.

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