A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi recebida com forte ceticismo por economistas e agentes financeiros. A avaliação predominante é de que a explicação fornecida pelo Banco Central para adiar o controle da inflação foi insuficiente e, em alguns pontos, contraditória. A reação negativa elevou as taxas dos títulos públicos, com o Tesouro IPCA+ voltando a superar 8,5% ao ano, refletindo o aumento da aversão ao risco.
Justificativa do BC é considerada fraca
Para analistas, o comunicado do Copom tentou justificar o injustificável. A decisão de manter a Selic em 14,25% ao ano, mas com um tom menos duro do que o esperado, gerou dúvidas sobre o compromisso do BC com a meta de inflação. “A ata trouxe uma narrativa confusa, que mistura preocupações fiscais com uma sinalização de que o ciclo de aperto pode estar perto do fim, o que não se sustenta com a inflação ainda elevada”, afirmou um economista de um grande banco, que preferiu não ser identificado.
Taxas futuras disparam
O mercado de juros futuros reagiu imediatamente. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2029 atingiu 8,52% ao ano, patamar não visto desde o início do ano. A alta foi puxada pela percepção de que o BC pode não agir com a firmeza necessária para conter a inflação, especialmente após a inclusão de parágrafos que relativizam o impacto dos choques de preços. “O mercado esperava uma sinalização mais clara de que o Copom está vigilante. O que vimos foi um discurso que abre espaço para dúvidas”, comentou um gestor de renda fixa.
Bolsa brasileira barata, mas sem pressa do estrangeiro
Enquanto a ata do Copom gerava volatilidade, o BBA destacou que a Bolsa brasileira está barata, mas que o investidor estrangeiro não vê urgência para retornar. Segundo relatório do banco, o valuation da B3 está em níveis atrativos, mas a incerteza fiscal e a falta de clareza sobre a política monetária afastam o capital externo. “O fluxo estrangeiro continua negativo, e a ata do Copom não deve mudar esse cenário no curto prazo”, afirmou o BBA.
Mercado questiona comunicação do BC
A comunicação do Banco Central voltou a ser alvo de críticas. Economistas apontam que a ata tenta conciliar duas visões opostas dentro do comitê, resultando em um texto que não convence. “Justificar o injustificável é o que resume essa ata. O BC parece ter cedido a pressões políticas ao suavizar o tom, mas sem dar uma contrapartida crível para a inflação”, avaliou um estrategista de um banco de investimentos.
Impacto nos ativos brasileiros
Com a ata confusa, o dólar também subiu, e o Ibovespa operou volátil. A combinação de juros futuros mais altos e incerteza sobre a política monetária tende a pressionar ainda mais a economia real. “O BC perdeu uma oportunidade de ancorar as expectativas. Agora, o mercado vai exigir provas concretas de que a inflação será controlada”, concluiu o economista.



