O nascimento de um bezerro com uma rara má-formação congênita em uma propriedade rural de Apicum-Açu, na Baixada Maranhense, repercutiu nas redes sociais e chamou a atenção de moradores da região. O animal apresentava diprosopia, uma condição caracterizada pela duplicação parcial ou total das estruturas da face e da região craniana.
O que é a diprosopia?
Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Maranhão (CRMV-MA), a anomalia é compatível com um quadro de diprosopia. “É uma má-formação congênita oriunda de uma falha no desenvolvimento embrionário. O animal possui, em cada face, dois olhos, um focinho e uma boca. Não foi, como muitos relatam, a questão de nascer com duas cabeças, ele nasceu com duas faces”, explicou o médico veterinário Madson Vidal.
A diprosopia é uma anomalia congênita extremamente rara na medicina veterinária. Ela ocorre quando há duplicação de estruturas faciais durante a formação do embrião, podendo afetar diferentes regiões da cabeça. Dependendo do grau da alteração, o animal pode apresentar duplicação de partes da face, como olhos, nariz e boca. Em casos mais graves, a condição pode dar a impressão de duas cabeças.
Causas e fatores associados
De acordo com especialistas, trata-se de uma alteração que se desenvolve ainda durante a gestação e não é causada por doenças contagiosas. A origem da diprosopia está associada a falhas no desenvolvimento embrionário. “Geralmente pode estar associado a fatores ambientais e nutricionais. Também pode ocorrer durante a gestação devido ao uso de medicamentos com substâncias teratogênicas ou à ingestão de plantas tóxicas da região”, explicou o veterinário.
Animaies com diprosopia frequentemente apresentam outras alterações anatômicas associadas, incluindo malformações em órgãos internos ou sistemas essenciais para a sobrevivência. Por esse motivo, a expectativa de vida costuma ser reduzida. Muitos animais não resistem logo após o nascimento ou apresentam complicações graves nas primeiras horas de vida.
O caso em Apicum-Açu
No sítio Recanto dos Monteiros, uma vaca deu à luz um bezerro com duas cabeças e apenas um corpo. Devido à complexidade e à anomalia genética, o filhote não sobreviveu, mas a mãe sobreviveu após receber cuidados médicos. Wilson, responsável por cuidar do gado na propriedade, relatou a surpresa com o caso inédito na região. O animal nasceu com duas cabeças perfeitamente formadas, quatro orelhas e duas línguas, mas dividindo o mesmo corpo.
Após o parto difícil, o foco dos tratadores passou a ser a recuperação da vaca. O animal recebeu aplicação de soro e tratamento com antibióticos no próprio curral. "Foi uma alegria muito grande, porque a gente salvou uma vida. Não conseguimos salvar duas, mas pelo menos salvamos uma", relatou o trabalhador.
Orientações para partos em bovinos
Em entrevista à TV Mirante, o médico veterinário Clélio, que atua há mais de 40 anos na zona rural de Codó, explica que os produtores precisam acompanhar de perto cada nascimento. Um dos principais sinais de alerta é o tempo: se a vaca passar de duas horas em trabalho de parto sem sucesso, uma intervenção já é necessária. Em um parto bovino normal, a posição correta do feto é apresentar primeiro as duas patas dianteiras juntas, seguidas pelo queixo.
Casos como o do bezerro com duas cabeças tornam o parto natural praticamente impossível. "Se já é difícil para a vaca expulsar o feto quando ele não está alinhado, imagine com duas cabeças. A maioria das vezes é inviável parir", pontua o veterinário. Nessas situações, a intervenção cirúrgica, como a cesariana, deve ser feita o quanto antes.
Após o parto, o tratamento preventivo é fundamental. A vaca deve receber medicamentos para evitar infecções severas e anti-inflamatórios, além de uma suplementação reforçada com cálcio, vitaminas e minerais para acelerar sua recuperação.



