O mercado financeiro reduziu pela quarta semana seguida a projeção de inflação para 2023, segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira. A mediana das expectativas caiu para 5,12%, ante 5,15% na semana anterior. No entanto, as estimativas para os anos seguintes subiram: a inflação prevista para 2027 passou de 4,20% para 4,22%, e a de 2028, de 3,78% para 3,80%.
Inflação de curto prazo em queda
O movimento de baixa nas projeções para 2023 é consistente com o cenário de desaceleração econômica e quedas recentes nos preços de alimentos e combustíveis. A meta de inflação para este ano é de 3,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que significa que o IPCA pode encerrar o ano entre 1,75% e 4,75%. A projeção de 5,12% ainda supera o teto da meta, mas sinaliza uma tendência de arrefecimento.
Perspectivas para 2027 e 2028 pioram
Por outro lado, as expectativas para o médio prazo se elevaram, indicando que os agentes econômicos não acreditam em uma convergência rápida da inflação para o centro da meta. O Banco Central tem reiterado a importância de manter a credibilidade da política monetária, e a alta das projeções para 2027 e 2028 sugere que o mercado vê riscos fiscais e de indexação como persistentes.
PIB, dólar e Selic
O Boletim Focus também mostrou que a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2023 permaneceu em 1,99%, sem alteração. A taxa de câmbio prevista para o fim do ano continua em R$ 5,20. Quanto à taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, a expectativa mediana é de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), encerrando o ciclo de reduções. As projeções indicam que a Selic deve encerrar 2023 em 14,00% e permanecer nesse patamar até o fim de 2024.
Contexto macroeconômico
As revisões do Focus refletem um ambiente de incerteza, com a atividade econômica mostrando resiliência, mas a inflação ainda acima da meta. A redução consecutiva das projeções de inflação para 2023 é um alívio para o governo e para o Banco Central, que tem se esforçado para ancorar as expectativas. No entanto, a elevação para os anos seguintes acende um alerta: a desinflação pode ser mais lenta do que o desejado, especialmente se houver choques de oferta ou pressões salariais. O Copom, em sua última ata, sinalizou que a taxa de juros precisará permanecer em patamar restritivo por tempo prolongado para garantir a convergência da inflação para as metas futuras. O mercado, ao revisar para cima as projeções de 2027 e 2028, parece precificar exatamente esse risco.



