IPCA sobe 0,16% em junho e fica abaixo do esperado pelo mercado
IPCA sobe 0,16% em junho, abaixo do esperado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho de 2026, percentual abaixo do esperado pelo mercado financeiro. A mediana das projeções coletadas pela agência Bloomberg apontava para uma elevação de 0,22% no período. O dado foi divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Resultado surpreende analistas

O resultado veio inferior às expectativas, consolidando um cenário de desaceleração inflacionária. Em maio, o IPCA havia subido 0,33%. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador passou a registrar alta de 4,12%, ainda dentro do teto da meta de inflação, que é de 4,5% para 2026. O centro da meta é de 3,0%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Segundo o IBGE, os principais impactos para a desaceleração vieram do grupo Alimentação e Bebidas, que caiu 0,08% no mês, e de Transportes, que recuou 0,12%. Por outro lado, as maiores altas foram observadas nos grupos Habitação (0,45%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,38%).

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Impacto na política monetária

A leitura mais baixa da inflação pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano. Economistas consultados pela Reuters avaliam que o IPCA abaixo do esperado abre espaço para uma redução dos juros na reunião de agosto, caso o cenário fiscal e externo não se deteriore.

“O dado de junho reforça a percepção de que a inflação está sob controle, o que pode dar mais conforto ao Copom para iniciar um ciclo de cortes na Selic ainda neste semestre”, afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Tatiana Nogueira, em nota a clientes.

Contexto econômico

A inflação brasileira vem mostrando tendência de arrefecimento desde o pico registrado em 2022, quando o IPCA atingiu 10,06% no ano. A política de juros elevados adotada pelo Banco Central contribuiu para conter a demanda e reduzir as pressões de preços. No entanto, o cenário fiscal ainda preocupa os investidores, com o governo discutindo medidas para cumprir o arcabouço fiscal.

O mercado também monitora os desdobramentos externos, como a alta do petróleo e os juros nos Estados Unidos, que podem impactar o câmbio e, consequentemente, os preços domésticos. O economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, destacou que “a inflação de serviços segue resiliente, mas o resultado de junho traz alívio. Ainda assim, é cedo para comemorar, pois a desancoragem das expectativas para 2027 e 2028 preocupa”.

Projeções futuras

Para 2026, o mercado financeiro estima, segundo o boletim Focus, que o IPCA encerre o ano em 4,00%, ligeiramente abaixo do teto da meta. A mediana das projeções para 2027 está em 3,80%. O dado de junho pode levar a revisões para baixo nessas estimativas.

O IBGE também divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, subiu 0,14% em junho, acumulando alta de 3,98% nos últimos 12 meses.

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