A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 5,6%, e reforça a visão de que o mercado de trabalho segue aquecido, amortecendo os efeitos da política monetária restritiva.
Impacto sobre a política monetária
A queda do desemprego ocorre em um contexto de juros elevados, com a Selic em 10,50% ao ano. O número robusto do emprego reduz a urgência de o Banco Central iniciar um ciclo de cortes na taxa básica. Segundo analistas, a resiliência do mercado de trabalho pode adiar a flexibilização monetária, já que o consumo permanece aquecido e a inflação de serviços ainda preocupa.
Para o Copom, a manutenção do desemprego em patamar baixo sinaliza que a economia ainda opera próxima do pleno emprego, o que limita o espaço para redução dos juros. O comitê tem destacado a necessidade de cautela diante das incertezas fiscais e externas.
Comparação histórica
A taxa de 5,4% é a menor para o trimestre desde 2014, quando o índice ficou em 5,0%. A recuperação do mercado de trabalho pós-pandemia tem sido mais rápida que o esperado, impulsionada por setores como serviços e comércio. No entanto, a informalidade ainda atinge 38,9 milhões de trabalhadores, o que representa 38,7% da população ocupada.
O rendimento médio real habitualmente recebido ficou em R$ 3.196, alta de 2,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A massa de rendimento real cresceu 3,8%, impulsionada pelo aumento da ocupação.
Perspectivas
A tendência de queda do desemprego deve continuar nos próximos meses, mas em ritmo menor, diante da desaceleração econômica esperada para o segundo semestre. O mercado financeiro projeta um crescimento do PIB de 2,1% em 2025, abaixo dos 3,0% de 2024. Ainda assim, a taxa de desemprego deve encerrar o ano em torno de 5,8%, segundo a mediana das projeções do Boletim Focus.
O governo federal comemorou o resultado, mas alerta que é necessário avançar em reformas para garantir sustentabilidade do emprego. Economistas apontam que a redução da Selic depende também do comportamento da inflação e do cenário fiscal.



