O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira que a chance de estouro do teto da meta de inflação em 2026 é de 79%, de acordo com o Relatório de Política Monetária. A meta de inflação para 2026 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, o teto é de 4,5%.
Projeção de inflação e PIB
No mesmo documento, o BC elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 de 1,8% para 2%, citando medidas de estímulo do governo. A estimativa para a inflação de 2026 também foi ajustada para cima, mas o BC não detalhou o novo número.
“A probabilidade de estouro do teto da meta é alta e preocupa”, afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, em coletiva. “O cenário exige cautela na condução da política monetária.”
Contexto econômico
A alta probabilidade de estouro da meta reflete pressões inflacionárias persistentes, especialmente em serviços e alimentos. O BC também destacou o impacto de medidas fiscais expansionistas e da desvalorização cambial sobre os preços.
O mercado financeiro já precifica uma Selic mais alta por mais tempo, com a mediana das expectativas apontando para taxa básica em 15% ao final de 2026. O BC reforçou que não hesitará em elevar os juros se necessário para conter a inflação.
Impacto nos investimentos
A notícia gerou reações nos mercados. O dólar comercial subiu 0,8%, cotado a R$ 5,90, enquanto o Ibovespa recuou 1,2%. Analistas veem cenário desafiador para ativos de risco brasileiros.
“Com inflação acima da meta e juros altos, a economia pode desacelerar mais que o esperado”, comentou o economista-chefe da XP, Caio Megale. “O BC precisa equilibrar o combate à inflação com o apoio ao crescimento.”



