Ex-diretores da Americanas delatam manipulação em delações da PF
Ex-diretores da Americanas delatam manipulação em delações

As delações premiadas de três ex-diretores da Americanas sustentam a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (25). Os executivos Fábio da Silva Abrate, Flavia Carneiro e Marcelo Nunes forneceram informações que levaram a novos alvos: acionistas e ex-conselheiros da varejista. Os documentos já haviam sido usados na primeira fase das investigações, em 2024, e agora embasam a apuração sobre a manipulação trimestral de resultados financeiros para atender expectativas do mercado.

Delações revelam esquema de maquiagem contábil

Segundo a PF, os delatores confessaram participação em um esquema de adulteração de balanços da Americanas entre 2010 e 2023. As distorções eram feitas a cada trimestre para alinhar os números divulgados às projeções de analistas e investidores. A prática, conhecida como "gerenciamento de resultados", ocorria com o conhecimento de diretores e conselheiros, que agora são investigados por omissão ou conivência.

Fábio da Silva Abrate, que trabalhou na contabilidade da empresa até 2023, é um dos delatores. Hoje dono de um bar, ele afirmou em depoimento que as fraudes eram "sistemáticas e ordenadas por superiores". Flavia Carneiro e Marcelo Nunes, também ex-diretores, corroboraram a versão e detalharam reuniões em que metas irreais eram impostas para maquiar resultados.

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Segunda fase da Operação Disclosure mira acionistas e conselheiros

A nova etapa da operação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços de ex-integrantes do conselho de administração e de acionistas relevantes. A PF investiga se eles tinham conhecimento do esquema e se lucraram com a valorização artificial das ações. As delações indicam que relatórios de auditoria interna apontavam irregularidades, mas eram ignorados pela cúpula.

Em nota, a defesa dos ex-conselheiros nega envolvimento e afirma que as acusações são baseadas em "versões de delatores interessados em reduzir penas". A Americanas, em recuperação judicial, disse colaborar com as investigações e reforçou que "todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para apurar os fatos".

Impacto nas investigações e no mercado

A primeira fase da Operação Disclosure, em 2024, já havia usado as delações de Abrate, Carneiro e Nunes para prender ex-executivos da área financeira. Agora, a ampliação do foco para acionistas e conselheiros pode revelar uma rede mais ampla de responsáveis. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que as delações são peças-chave para o avanço das apurações, mas que a Justiça precisará de provas documentais para corroborar os relatos.

As ações da Americanas fecharam em queda de 3,5% na B3 nesta terça-feira, refletindo o temor de novos desdobramentos. A PF estima que o prejuízo causado aos investidores ultrapasse R$ 20 bilhões, considerando a desvalorização dos papéis e os dividendos pagos com base em balanços fraudulentos.

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