BC eleva projeção de PIB para 2% e vê chance de 79% de estouro da meta de inflação em 2026
BC eleva projeção de PIB para 2% e vê chance de 79% de estouro da meta de inflação

O Banco Central elevou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026 de 1,9% para 2,0%, segundo o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira. A revisão reflete, em parte, as medidas de estímulo do governo federal. Paralelamente, a autoridade monetária estima que a probabilidade de estouro do teto da meta de inflação em 2026 é de 79%, cenário que acende alerta nos mercados.

Contexto econômico e impacto fiscal

A projeção de crescimento mais otimista vem acompanhada de uma piora nas expectativas inflacionárias. O BC passou a prever IPCA de 4,2% para 2026, acima do centro da meta (3,0%) e do limite superior (4,5%). A chance de estouro do teto, calculada com base em modelos internos, saltou de 68% no relatório anterior para 79% agora. O documento cita medidas de estímulo do governo, como a liberação de recursos do FGTS e a ampliação do programa Minha Casa Minha Vida, como fatores que podem pressionar a demanda agregada e, consequentemente, os preços.

Reações do mercado e expectativas futuras

O mercado financeiro reagiu com cautela. O economista-chefe de uma grande corretora, que preferiu não ser identificado, avaliou que "o BC está sinalizando que a política monetária precisará permanecer contracionista por mais tempo, mesmo com o crescimento mais forte". A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, deve permanecer elevada até que haja sinais concretos de arrefecimento da inflação. O relatório também destaca que o hiato do produto está próximo de zero, indicando que a economia opera perto de seu potencial, o que reduz o espaço para estímulos adicionais sem gerar inflação.

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Impacto sobre investimentos e câmbio

A combinação de crescimento moderado e inflação persistente tende a beneficiar ativos atrelados à inflação, como títulos IPCA+, e a pressionar o câmbio. O dólar comercial fechou a R$ 5,85, em alta de 0,8% no dia. Para o gestor de renda fixa da Asset, Luís Fernando Figueiredo, "o cenário de inflação acima da meta e juros altos por mais tempo é desafiador para a bolsa, mas cria oportunidades em títulos públicos e privados indexados à inflação". O BC também elevou a projeção de déficit em transações correntes para US$ 56 bilhões em 2026, reflexo do maior crescimento e da conta de importações.

Perspectivas para a política monetária

A ata da última reunião do Copom, que será divulgada na próxima semana, deverá trazer mais detalhes sobre a avaliação dos membros do comitê. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia sinalizado que a autoridade não hesitará em elevar a Selic se necessário para conter a inflação. O mercado projeta que a taxa básica de juros encerre 2026 em 14,75%, com possibilidade de novo aumento na reunião de maio. O relatório de inflação também reforçou a importância do ajuste fiscal para ancorar as expectativas de longo prazo.

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