O Banco Central elevou a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) no ano para 2%, citando medidas de estímulo do governo. A probabilidade de estouro do teto da meta de inflação em 2026 é de 79%, segundo estimativas da instituição.
Projeções econômicas
A nova projeção do BC representa uma revisão para cima em relação à estimativa anterior, que era de 1,8%. O crescimento é atribuído principalmente às medidas de estímulo fiscal e monetário adotadas pelo governo federal, que incluem aumento de gastos e redução de juros.
O mercado financeiro, no entanto, ainda espera uma expansão menor, de cerca de 1,5% para 2026. A diferença reflete a incerteza quanto ao impacto real das políticas de estímulo e à sustentabilidade fiscal.
Risco inflacionário
A probabilidade de 79% de estouro do teto da meta de inflação em 2026 preocupa analistas. O teto é de 4,5% ao ano, e a meta central é de 3,25%. Caso a inflação ultrapasse o teto, o BC terá que justificar formalmente o descumprimento.
“A chance de estouro é alta, e isso sinaliza que a política monetária precisa continuar apertada”, afirmou Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central. Ele comparou a situação atual com o período Dilma II, quando o dólar disparou e a inflação fugiu ao controle.
Impacto nos mercados
As projeções do BC influenciaram os mercados financeiros. O dólar opera em alta, enquanto a Bolsa de Valores (Ibovespa) registra queda. Investidores avaliam que o cenário de inflação elevada pode levar a novos aumentos da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
“Ajuste virá na marra”, alertou Figueiredo, referindo-se à necessidade de conter a demanda agregada para evitar pressões inflacionárias adicionais.
Medidas de estímulo
O governo federal anunciou recentemente pacotes de estímulo econômico, incluindo investimentos em infraestrutura e subsídios para setores específicos. Essas medidas visam acelerar o crescimento, mas também elevam o risco fiscal e inflacionário.
O BC reconheceu que as medidas contribuíram para a revisão do PIB, mas alertou que podem pressionar a inflação. “É necessário equilibrar o estímulo de curto prazo com a sustentabilidade de longo prazo”, destacou o relatório.
Perspectivas para 2026
Para 2026, o BC projeta um crescimento do PIB de 2,0%, com inflação de 4,2% – acima do centro da meta, mas dentro do teto. No entanto, a probabilidade de estouro do teto indica que o cenário é incerto.
O mercado financeiro espera que o BC mantenha a taxa Selic elevada por mais tempo, possivelmente até o final de 2026, para conter a inflação. Isso pode impactar negativamente o consumo e o investimento, limitando o crescimento econômico.



