O Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB para 2026 para 2%, citando medidas de estímulo do governo. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária estima que a chance de estouro do teto da meta de inflação no mesmo ano é de 79%.
Inflação e estímulos
A revisão do PIB veio acompanhada de uma piora nas expectativas inflacionárias. Segundo o BC, a probabilidade de a inflação ultrapassar o limite superior da meta (que é de 4,5% para 2026) alcançou 79%, ante 65% na projeção anterior.
O cenário reflete o impacto das medidas de estímulo fiscal e monetário adotadas pelo governo, que impulsionam a atividade econômica mas pressionam os preços.
Reação do mercado
O mercado financeiro reagiu com cautela aos números. Analistas destacam que a combinação de crescimento moderado e inflação alta dificulta a atuação do BC, que pode precisar elevar ainda mais a Selic para conter os preços.
“Ajuste virá na marra”, afirmou Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, em referência à disparada do dólar e ao risco de descontrole inflacionário, comparando o momento ao período do governo Dilma Rousseff.
Dólar e risco fiscal
O dólar comercial opera em alta, refletindo o aumento da aversão a risco no exterior e as incertezas fiscais domésticas. A moeda americana já acumula valorização de mais de 10% em 2026, pressionando ainda mais os preços de importados e a inflação.
O BC também melhorou a projeção de déficit em transações correntes para US$ 56 bilhões em 2026, indicando que a conta externa continua sob pressão.



