Em Londrina (PR), o empreendedor Lucas Olivetti desenvolveu um papel sustentável para aplicação de mechas e descoloração capilar, substituindo as tradicionais folhas de alumínio. A inovação, que combina experiência no setor gráfico com persistência empreendedora, já alcança faturamento médio mensal de R$ 300 mil em 2025 e está presente em 19 países, além do Brasil.
Trajetória do empreendedor
Antes de criar o produto, Olivetti acumulou três tentativas frustradas de empreender, duas delas no segmento gráfico. Apesar dos fracassos, ele manteve o sonho de ter um negócio próprio, inspirado desde a infância pelo avô, que trabalhava na feira. A ideia surgiu durante uma conversa com um cabeleireiro, que relatou as limitações do alumínio nos processos de coloração e descoloração. Com conhecimento em gráfica e celulose, Olivetti começou a pesquisar alternativas em 2018.
Desenvolvimento e desafios iniciais
Durante cerca de um ano, Olivetti realizou testes e protótipos, parte deles na gráfica do padrasto. O resultado foi um papel que auxilia o clareamento dos fios sem alumínio, oferecendo maior segurança em procedimentos químicos. No entanto, a aceitação no mercado foi difícil. Sem experiência em salões de beleza, ele enfrentou resistência dos profissionais. A virada ocorreu quando decidiu buscar validação junto a marcas de cosméticos, adotando uma estratégia de produção para terceiros.
Escala e impacto ambiental
Antes de ter uma fábrica estruturada, Olivetti e sócios percorreram 12 estados brasileiros em seis meses, levantando quase R$ 2 milhões em antecipações de pedidos. Atualmente, mais de 260 milhões de folhas foram comercializadas. A substituição do alumínio evitou o descarte de mais de 3 milhões de quilos do metal. O produto é vendido em pacotes: 30 folhas por cerca de R$ 13 e 120 folhas por aproximadamente R$ 44.
Expansão e perspectivas
Com faturamento mensal de R$ 300 mil, a empresa estuda expandir o portfólio para outros produtos de beleza. Para Olivetti, o sucesso vem de enxergar oportunidades onde poucos olham. "Inovação nem sempre surge de grandes laboratórios", afirma. "Às vezes, começa em uma conversa, identifica um problema cotidiano e encontra uma maneira diferente de resolvê-lo."



