As montadoras chinesas estão revolucionando a indústria automotiva ao ignorar o princípio de Henry Ford, que pregava a produção em massa padronizada como caminho para a eficiência. Em vez disso, empresas como BYD, Great Wall e Nio adotam modelos flexíveis, com plataformas modulares e customização em escala, reduzindo custos e acelerando a inovação.
O fim da linha de montagem rígida
Henny Ford popularizou a linha de montagem contínua no início do século XX, mas as fabricantes chinesas estão provando que a rigidez não é mais competitiva. De acordo com a consultoria McKinsey, a China conseguiu reduzir o tempo de desenvolvimento de um novo modelo de cinco para menos de três anos, graças a fábricas inteligentes e digitalização.
A BYD, maior montadora do país, opera com um sistema de células de produção flexíveis que podem ser reconfiguradas em horas para fabricar diferentes modelos. “A produção em massa padronizada é coisa do passado. Hoje, a customização em larga escala é a chave para atender um mercado que muda rapidamente”, afirmou Li Yunfei, vice-presidente de operações da BYD, em entrevista ao Valor.
Resultados econômicos expressivos
Com essa abordagem, as montadoras chinesas conquistaram 30% do mercado global de veículos elétricos em 2025, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM). A flexibilidade permite que elas ofereçam mais de 100 opções de configuração para um mesmo modelo, algo impossível nas linhas tradicionais.
A Great Wall Motors, por exemplo, viu suas exportações crescerem 45% no último ano, impulsionadas pela capacidade de adaptar veículos a diferentes regulamentações e preferências regionais. “Não seguimos receitas do século passado. Inovamos na fábrica e no produto”, disse Wang Fengying, CEO da montadora.
Impacto na indústria global
A China já responde por 60% da produção mundial de baterias e 40% dos veículos elétricos, e a nova geração de fábricas flexíveis deve ampliar essa liderança. Enquanto isso, montadoras ocidentais tradicionais, como Ford e General Motors, lutam para se adaptar, com margens apertadas e processos ainda enraizados no fordismo.



