Vítimas do césio-137 em Goiânia ainda sofrem com falta de apoio médico após 30 anos
Vítimas do césio-137 sofrem sem apoio médico após 30 anos

O irmão de Leide das Neves Ferreira, a menina que morreu após o acidente com o Césio-137 em 1987, em Goiânia, sofreu com depressão e outros problemas de saúde decorrentes do trauma, segundo Marcelo Santos Neves, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137. Lucimar das Neves Ferreira foi encontrado morto em sua casa em Aparecida de Goiânia, após dormir. De acordo com Marcelo, Lucimar tinha depressão profunda e traumas relacionados ao acidente. Ele também teve episódios de desmaio na rua, sendo levado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) pela mãe em uma ocasião. "Ele estava fazendo tratamento agora, não sei bem de quê, porque ele não correspondia aos tratamentos", relatou Marcelo.

O acidente e suas consequências duradouras

O acidente com o césio-137 ocorreu em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi violado em um ferro-velho, espalhando pó radioativo. Leide das Neves, de 6 anos, morreu em 23 de outubro de 1987, sendo a primeira vítima fatal. Mais de 100 mil pessoas foram monitoradas, e centenas desenvolveram problemas de saúde. Marcelo Santos Neves, que também é vítima, afirma que a falta de apoio médico contínuo é um problema crônico. "As vítimas precisam de acompanhamento psicológico e médico especializado, mas o governo não oferece", disse Marcelo. Até hoje, sobreviventes relatam doenças como câncer, problemas cardíacos e transtornos mentais.

A luta por assistência à saúde

A Associação das Vítimas do Césio-137, fundada em 2007, tem pressionado por políticas públicas. No entanto, Marcelo afirma que o atendimento é fragmentado. "Muitos não conseguem acesso a tratamentos no SUS e dependem da filantropia", explicou. O caso de Lucimar é emblemático: ele não respondia aos tratamentos, o que sugere a necessidade de cuidados multidisciplinares. A falta de dados precisos sobre o número de vítimas dificulta o planejamento. Estima-se que 1.200 pessoas foram diretamente contaminadas, mas as consequências psicológicas atingem um círculo maior.

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Impacto psicológico e social

O trauma do acidente marcou gerações. Familiares de vítimas relatam isolamento social, preconceito e dificuldades econômicas. A depressão é comum, como no caso de Lucimar. Marcelo destaca que a associação oferece apoio emocional, mas recursos são limitados. "Precisamos de uma política de Estado que reconheça o sofrimento dessas pessoas", completou. O acidente com césio-137 é o maior acidente radiológico do Brasil e um dos maiores do mundo, mas o apoio às vítimas ainda é insuficiente.

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