A Hypera (HYPE3) deu um passo importante no mercado brasileiro de medicamentos para emagrecimento ao protocolar o nome comercial Semavy para sua caneta injetável de semaglutida sintética junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O anúncio, feito na quarta-feira (24), ocorre em meio a uma corrida de lançamentos impulsionada pelo fim da patente da semaglutida, princípio ativo de marcas como Ozempic e Wegovy. No entanto, o cenário para a Hypera é complexo, segundo relatório do Itaú BBA divulgado na terça-feira (23).
Entrada tardia e concorrência acirrada
Os analistas do Itaú BBA destacam que a Hypera ingressa no setor em um momento em que os pioneiros já avançam em estratégias de preços e educação médica. “A principal questão não é liderar essa primeira fase, mas se uma entrada posterior, possivelmente com estrutura mais leve, ainda pode gerar retorno atrativo para Hypera”, pontuam. O banco mantém recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 32 ao final de 2026.
A disputa pelo mercado local já conta com movimentos estratégicos de grandes players. A Eurofarma, em parceria com a Novo Nordisk, lançou o Poviztra, enquanto a EMS introduziu o Ozivy, o primeiro similar de semaglutida aprovado no país. “Os primeiros entrantes se beneficiam do acesso inicial, influenciando a dinâmica de mercado por meio de preços, descontos e ações de educação médica”, afirmam os analistas.
Estratégias de preços e impacto no mercado
O relatório aponta que a Eurofarma reduziu os preços do Poviztra em cerca de 40% após o fim da patente e a iminência do lançamento da EMS. Essa redução levou a um volume de vendas muito mais forte, com alta de 178% na rede Pague Menos (PGMN3). Já a EMS entrou com preço agressivo e foco em liderança de categoria, “apoiado pela produção local de peptídeos e expansão de capacidade”, de acordo com o BBA.
Os analistas destacam que o movimento combinado com a redução de preços da Eurofarma deve potencializar o crescimento do mercado. Além da concorrência entre os genéricos, o setor enfrenta a pressão de alternativas de baixo custo, como farmácias de manipulação e produtos de tirzepatida vindos do Paraguai. “Uma eventual maior fiscalização poderia trazer parte dessa demanda de volta ao mercado formal, mas ainda há pouca visibilidade sobre quando e com qual intensidade isso pode acontecer”, ressalta o documento.
Desafio central da Hypera
Para a Hypera, o sucesso da operação vai depender da capacidade de manter margens saudáveis em um patamar de preços já pressionado pela competição. Diferente da EMS e da Eurofarma, que já consolidaram presença comercial e relacionamento com médicos, a entrada da companhia exige cautela quanto à produtividade do capital empregado. A dúvida central reside na capacidade da empresa de equilibrar custos e receitas, garantindo que o novo produto contribua positivamente para o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
O banco de investimentos reforça que chegar depois não exclui a empresa da oportunidade, desde que o modelo de negócio seja ajustado para esse novo contexto. “Caso a Hypera consiga entrar com uma estrutura de menor necessidade de investimento, o critério para geração de valor se torna mais simples e o foco passa a ser em gerar Ebitda, mais do que buscar liderança de mercado”, conclui o relatório, reforçando que a estratégia da companhia será o diferencial para contornar o perfil de risco distinto nesta fase do ciclo.



