Fiemg defende retomada da tributação sobre importações de até US$ 50
Fiemg defende retomada de tributo sobre importações de até US$ 50

Com as novas tarifas anunciadas pelo governo americano, que impactaram diretamente parte dos produtos brasileiros, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defende a retomada da tributação sobre importações de até US$ 50. Essa medida, conhecida como “taxa das blusinhas”, foi revogada em maio pela Medida Provisória (MP) nº 1357, de 2026.

Revogação e seus efeitos imediatos

Por se tratar de uma MP, a revogação já está em vigor desde sua publicação. O Congresso Nacional tem até o início de setembro para analisar a medida; se aprovada, será convertida definitivamente em lei. Para a Fiemg, a revogação amplia a concorrência com produtos importados em um momento de maior pressão sobre a indústria brasileira, que já enfrenta os impactos das tarifas impostas pelos EUA às exportações nacionais.

A federação destaca que os reflexos da revogação já são visíveis nos indicadores. “Em junho, as importações de produtos de baixo valor alcançaram R$ 2,6 bilhões, crescimento superior a 100% em relação ao mesmo mês de 2025”, informa a entidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Posicionamento da Fiemg

O economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, classificou a revogação da “taxa das blusinhas” como uma medida de “caráter eleitoreiro” e alertou que ela amplia a vulnerabilidade do setor produtivo. “A indústria não busca protecionismo. O que se defende é isonomia nas condições de competição. Enquanto os produtos importados, especialmente os chineses, chegam ao Brasil sem enfrentar o chamado Custo Brasil, a indústria nacional continua arcando com uma elevada carga tributária e entraves estruturais”, afirmou Pio.

Segundo a Fiemg, a retirada da tributação facilita a entrada de mercadorias importadas, principalmente da China, que concorrem diretamente com a produção nacional por meio de preços mais baixos. A federação avalia que o cenário se torna ainda mais preocupante porque a indústria enfrenta dois movimentos simultâneos que comprometem sua competitividade: perde espaço no mercado norte-americano devido ao tarifaço e, ao mesmo tempo, enfrenta concorrência mais intensa no mercado interno.

Impacto duplo sobre a indústria

“É uma combinação particularmente desfavorável, porque comprime a indústria tanto no mercado externo quanto no doméstico”, destacou Pio. O economista ressaltou que, além da retomada da tributação sobre as importações de pequeno valor, o Brasil precisa avançar em medidas estruturais para aumentar a competitividade da produção nacional. Entre elas, estão a redução do Custo Brasil, a melhoria da infraestrutura logística e energética, o equilíbrio fiscal e a ampliação do acesso ao crédito.

“O ideal é criar um ambiente econômico que permita uma competição equilibrada, reduzindo os custos enfrentados pela indústria brasileira”, defendeu o economista. A Fiemg reforça que a defesa da tributação não é um pedido de protecionismo, mas sim de condições justas de concorrência, especialmente em um momento em que as exportações para os EUA estão sendo prejudicadas e a indústria nacional precisa se manter competitiva internamente.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar