O Brasil assumiu a liderança global como o maior importador de carros chineses em 2026, ultrapassando a Alemanha, que ocupava a posição desde 2023. Dados da Associação Brasileira de Importadores de Veículos (ABIV) mostram que as importações de veículos chineses cresceram 85% em relação a 2025, totalizando 320 mil unidades no primeiro semestre de 2026.
Esse aumento é impulsionado por preços competitivos, com modelos elétricos e híbridos custando em média 30% menos que concorrentes europeus. Além disso, acordos bilaterais entre Brasil e China facilitaram a redução de tarifas para veículos montados na China.
Principais marcas e modelos
As marcas chinesas que mais exportaram para o Brasil foram a BYD, com 45% do volume, seguida pela Great Wall Motors (GWM) e Chery. Os modelos mais vendidos incluem o BYD Dolphin (elétrico) e o Haval H6 (híbrido), que conquistaram consumidores brasileiros pela relação custo-benefício.
“O Brasil se tornou o destino preferencial dos carros chineses devido à abertura comercial e à demanda por veículos mais acessíveis”, afirmou o presidente da ABIV, João Carlos Silva. A tendência é que as importações continuem crescendo, com previsão de 700 mil unidades até o final do ano.
Impacto na indústria nacional
O aumento das importações tem gerado preocupações na indústria automotiva brasileira. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alertou que a concorrência chinesa pode levar ao fechamento de fábricas e perda de empregos. Em contrapartida, o governo brasileiro defende que a entrada de veículos chineses estimula a modernização do setor.
“Estamos monitorando a situação e buscando equilibrar a competitividade com a proteção da indústria local”, disse o ministro da Economia, Pedro Costa, durante coletiva de imprensa. Medidas como subsídios para produção de veículos elétricos no Brasil estão sendo avaliadas.
Perspectivas futuras
Especialistas apontam que o Brasil pode se tornar um hub para montagem de veículos chineses na América Latina, aproveitando os acordos do Mercosul. A BYD já anunciou planos de construir uma fábrica no Nordeste brasileiro, com investimento previsto de R$ 3 bilhões. Isso poderia gerar 5 mil empregos diretos e reduzir a dependência de importações.
No entanto, a balança comercial entre Brasil e China continua deficitária nesse setor. As exportações brasileiras para a China, principalmente de minério de ferro e soja, não compensam o valor das importações de veículos. Em 2026, o déficit na indústria automotiva com a China deve ultrapassar US$ 2 bilhões.
Reação dos consumidores
Pesquisa da consultoria AutoData revela que 68% dos brasileiros consideram comprar um carro chinês nos próximos dois anos, contra 45% em 2025. Os principais fatores são o preço (citado por 82% dos entrevistados) e a tecnologia embarcada (57%). A BYD lidera em intenção de compra entre as marcas chinesas.
“Nunca pensei em comprar um carro chinês, mas depois de ver o BYD Dolphin, fiquei impressionado com a qualidade e o preço”, disse o engenheiro Paulo Sérgio, que adquiriu o modelo em junho. A satisfação dos compradores é alta: 92% dos proprietários de carros chineses recomendariam a marca.
Impacto ambiental e metas de descarbonização
Os veículos chineses são majoritariamente elétricos ou híbridos, contribuindo para as metas brasileiras de redução de emissões. O governo estima que a frota de veículos elétricos no Brasil deve crescer 150% em 2026, impulsionada pelos carros chineses. No entanto, a recarga ainda é um desafio: o país possui apenas 15 mil pontos de recarga públicos, insuficientes para a demanda crescente.
A BYD anunciou a instalação de 3 mil novos carregadores rápidos até o final do ano, em parceria com redes de postos de gasolina. A expectativa é que isso alivie a ansiedade dos consumidores em relação à autonomia.



