Famílias antecipam futuro e repensam compra de imóveis
Famílias antecipam futuro e repensam imóveis

Uma pesquisa recente do Instituto DataReal revela que 60% das famílias brasileiras pretendem adquirir um imóvel nos próximos dois anos, mas 40% delas estão repensando suas estratégias devido às condições econômicas adversas. O estudo, encomendado pela Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI), ouviu 2.000 famílias em todas as regiões do país entre maio e junho de 2026.

Juros altos e inflação mudam planos

A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e a inflação acumulada de 9,2% nos últimos 12 meses são os principais fatores que levam as famílias a adiar ou reavaliar a compra. Segundo o coordenador da pesquisa, Carlos Mendes, “o cenário de crédito restrito e custo elevado dos financiamentos está fazendo com que as famílias busquem alternativas, como imóveis menores ou em regiões mais afastadas”.

Mudança no perfil de compra

Entre as famílias que ainda planejam comprar, 55% buscam imóveis de até R$ 300 mil, uma queda de 10 pontos percentuais em relação a 2025, quando 65% focavam nessa faixa. “Isso indica que as famílias estão reduzindo o orçamento e priorizando entrada menor, mesmo que isso signifique financiar por mais tempo”, explica Mendes.

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Impacto nas construtoras

As incorporadoras já sentem o impacto. A construtora Viver Bem registrou queda de 15% nas vendas no primeiro semestre de 2026, comparado ao mesmo período de 2025. O diretor financeiro, Eduardo Lopes, afirma: “Estamos ajustando nossos lançamentos para atender a demanda por imóveis mais compactos e com preços acessíveis, principalmente em áreas com infraestrutura consolidada”.

Famílias buscam segurança e planejamento

A pesquisa também mostra que 70% das famílias consideram a segurança financeira como fator decisivo. “Com a incerteza econômica, as pessoas estão priorizando imóveis prontos ou em fases avançadas de construção, que representam menor risco”, diz Mendes. Esse movimento pressiona o setor a oferecer condições mais flexíveis, como parcelamento direto com a construtora.

Perspectivas para 2027

Especialistas projetam que o mercado imobiliário deve se manter estável, com crescimento de 2% a 3% no número de transações em 2027, impulsionado pelo programa habitacional Casa Verde e Amarela. No entanto, a recomposição da renda familiar e a queda esperada da Selic para 11% ao ano no próximo ano são fatores que podem reanimar a demanda.

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