A gigante britânica Shell anunciou a venda de seus negócios de energia renovável na Europa para a francesa TotalEnergies, em um acordo avaliado em US$ 4,7 bilhões. A transação, divulgada nesta terça-feira, marca uma mudança significativa na estratégia da Shell, que pretende concentrar seus investimentos em petróleo e gás natural, priorizando retornos de curto prazo para os acionistas.
Detalhes do acordo
O pacote inclui projetos eólicos onshore e offshore, além de participações em empresas de energia solar e armazenamento de baterias localizadas em países como Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Portugal e Espanha. A TotalEnergies, que já é uma das maiores produtoras de energia renovável do mundo, ampliará sua capacidade instalada em aproximadamente 5 gigawatts (GW), elevando seu portfólio global para mais de 30 GW.
Segundo comunicado oficial, a Shell afirmou que a venda está alinhada com sua meta de reduzir a pegada de carbono, mas que a empresa continuará investindo em projetos de energia renovável em outras regiões, como Estados Unidos e Ásia. "Esta transação reflete nosso compromisso em simplificar o portfólio e focar nos negócios que geram mais valor", disse o CEO da Shell, Wael Sawan, em nota.
Impacto no mercado
Analistas do setor veem a venda como um movimento estratégico para a Shell, que busca se distanciar de ativos de capital intensivo e baixa rentabilidade no curto prazo. "A decisão é coerente com a tendência das petroleiras europeias de reavaliar seus investimentos em renováveis após a crise energética de 2022", comentou Maria João Rodrigues, especialista em energia da consultoria EY.
A TotalEnergies, por sua vez, reforça sua posição como líder em transição energética. "Estamos comprometidos em acelerar nossa expansão no setor de eletricidade renovável, e esta aquisição é um passo importante nessa direção", declarou o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné.
Contexto do setor
O acordo ocorre em um momento em que grandes petroleiras enfrentam pressão de investidores para reduzir emissões, mas também buscam manter lucros robustos. A Shell já havia reduzido sua meta de redução de emissões de carbono para 2030, e a venda dos ativos europeus reforça essa tendência. A transação ainda está sujeita à aprovação de órgãos reguladores e deve ser concluída até o primeiro trimestre de 2026.
Com essa venda, a Shell espera obter ganhos de caixa para financiar recompras de ações e dividendos, enquanto a TotalEnergies ganha escala em um mercado competitivo onde a demanda por energia limpa cresce impulsionada por políticas climáticas da União Europeia.
Reações e perspectivas
Organizações ambientalistas criticaram a decisão da Shell, argumentando que a venda demonstra falta de compromisso com a transição energética. "É um retrocesso para os esforços globais de combate às mudanças climáticas", afirmou Greenpeace em nota. Por outro lado, investidores reagiram positivamente, com as ações da Shell subindo 2,3% na Bolsa de Londres após o anúncio.
Especialistas preveem que outras petroleiras, como BP e Equinor, possam seguir o mesmo caminho, avaliando seus portfólios de renováveis para maximizar retornos. "O setor está em um momento de reestruturação, e os ativos de renováveis podem ser realocados para empresas com maior foco em energia limpa", concluiu Rodrigues.



