O preço do petróleo Brent disparou 7% nesta quarta-feira, fechando a US$ 90 o barril, impulsionado pela promessa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma resposta militar ao recente ataque do Irã a bases americanas. A escalada da tensão no Oriente Médio reacendeu temores de interrupção no fornecimento global da commodity.
Contexto geopolítico
Trump, em discurso público, afirmou que não toleraria o ataque iraniano e que uma retaliação estava sendo preparada. Embora não tenha detalhado as ações, suas declarações elevaram o prêmio de risco geopolítico, levando investidores a buscar proteção em ativos como o petróleo. Segundo analistas do Goldman Sachs, citados por fontes do mercado, essa retórica pode pressionar ainda mais a oferta caso haja bloqueio no Estreito de Ormuz.
Impacto nos mercados
O salto do Brent ocorreu em meio a um pregão volátil, com o Ibovespa recuando 1,2% e o dólar avançando 0,8% ante o real, refletindo aversão ao risco. Empresas como a Petrobras (PETR4) subiram mais de 2% na B3, beneficiadas pela alta da commodity. “O mercado está sob pressão dupla: o choque de oferta e a incerteza fiscal doméstica”, comentou Luiz Gustavo de Oliveira, estrategista-chefe da XP Investimentos.
Reação de outros ativos
Além do petróleo, o ouro ganhou valorização de 1,5%, sendo negociado a US$ 2.380 a onça. Já os títulos do Tesouro americano tiveram queda nos rendimentos, com investidores migrando para a renda fixa segura. Na Europa, o índice Stoxx 600 caiu 0,9%, puxado por ações de energia e defesa.
Perspectivas
O mercado aguarda novos desdobramentos, incluindo possíveis sanções econômicas ao Irã. Caso a crise se agrave, estima-se que o Brent possa testar os US$ 100 nos próximos meses. “Um conflito prolongado no Oriente Médio pode gerar um choque inflacionário global, afetando bancos centrais e preços de combustíveis”, alerta Maria Silva, economista-chefe da FGV. A próxima reunião da OPEP+ está marcada para julho, mas fontes indicam que o grupo pode discutir cortes extras de produção.



