O petróleo fechou em forte baixa nesta terça-feira (28), com o contrato do WTI para setembro caindo 2,5%, para US$ 79,80 o barril, o primeiro fechamento abaixo de US$ 80 em mais de duas semanas. O movimento foi impulsionado por sinais de alívio nas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, após declarações de ambos os lados indicando disposição para negociações diplomáticas.
Contexto das tensões e impacto nos preços
Nas últimas semanas, o mercado de petróleo vinha sendo pressionado por receios de uma interrupção no fornecimento do Golfo Pérsico, devido a ameaças iranianas de fechar o Estreito de Ormuz. No entanto, nesta terça-feira, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que os EUA estão abertos a “medidas de confiança” com o Irã, enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano, Hossein Amirabdollahian, disse que um acordo é possível se houver “boa vontade mútua”.
“O mercado interpretou essas declarações como um sinal de que uma escalada militar iminente foi evitada, reduzindo o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços”, explicou Giovanni Staunovo, analista do UBS. O Brent para setembro, referência global, também recuou 2,3%, para US$ 84,10 o barril.
Números e perspectivas
Antes do alívio, o WTI havia acumulado alta de 6% nas duas semanas anteriores, justamente pelo temor de problemas de oferta. Com a queda de hoje, o barril opera agora no menor nível desde 8 de julho. A queda também foi influenciada por dados fracos da economia chinesa, que aumentaram preocupações com a demanda. O PMI industrial da China caiu para 49,8 em julho, contra 50,1 em junho, indicando contração no setor.
Para analistas do Goldman Sachs, a trégua momentânea pode durar, mas o risco de novas tensões permanece elevado. “O mercado deve continuar volátil, com o preço oscilando entre US$ 75 e US$ 85 no curto prazo”, projetaram em nota. A Agência Internacional de Energia (AIE) também alerta que os estoques globais de petróleo estão em níveis baixos, o que pode amplificar movimentos de preço.
Impacto no mercado brasileiro
A queda do petróleo no exterior repercute no Brasil, onde a Petrobras ainda não anunciou reajuste nos combustíveis. A defasagem dos preços internos em relação ao mercado internacional diminuiu com o recuo do barril, reduzindo a pressão por aumentos. Especialistas avaliam que a estatal pode manter a política de preços atual, sem alterações no curto prazo.
O dólar também fechou em queda de 0,8%, cotado a R$ 5,20, influenciado pelo alívio externo. A combinação de petróleo mais barato e dólar mais baixo tende a beneficiar a inflação brasileira, especialmente nos custos de transporte e energia.



