O petróleo Brent, referência global, ultrapassou a marca de US$ 100 o barril pela primeira vez em mais de uma década, desencadeando uma forte onda de aversão a risco nos mercados financeiros globais. As bolsas de valores registraram quedas expressivas, enquanto os juros futuros dispararam em meio a temores de que a alta da commodity pressione ainda mais a inflação e force os bancos centrais a elevarem as taxas de juros.
Impacto imediato nas bolsas
O índice S&P 500, em Nova York, caiu mais de 2% no pregão, e o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,8%. Na Europa, os índices FTSE 100, DAX e CAC 40 também fecharam em baixa. Analistas atribuíram o movimento ao aumento dos custos de energia, que reduz margens de lucro corporativas e pode frear o crescimento econômico.
Segundo dados da Refinitiv, o Brent atingiu US$ 100,20 no início da tarde, impulsionado por cortes de produção da Opep+ e pela demanda aquecida pós-pandemia. O último pico acima de US$ 100 havia sido registrado em 2014.
Pressão sobre juros e inflação
A alta do petróleo também elevou as projeções de inflação. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos subiu para 3,2%, enquanto o dólar se fortaleceu frente a moedas emergentes. No Brasil, as taxas dos contratos futuros de juros (DI) subiram em todos os prazos, com o DI para janeiro de 2027 atingindo 11,8%.
“O petróleo acima de US$ 100 é um choque de oferta que pressiona a inflação global, obrigando os bancos centrais a manterem uma postura hawkish por mais tempo”, afirmou Carlos Viana, economista-chefe da gestora Kapitalo, em nota a clientes. “Isso pode adiar cortes de juros esperados para o segundo semestre.”
Reação de analistas e perspectivas
O Goldman Sachs elevou sua previsão para o Brent no curto prazo para US$ 110, citando estoques baixos e capacidade ociosa limitada da Opep. O banco estima que cada alta de US$ 10 no barril reduz o crescimento global em 0,1 ponto percentual.
No Brasil, o impacto é sentido diretamente nos preços dos combustíveis. A Petrobras ainda não anunciou reajuste, mas a defasagem em relação ao mercado internacional já ultrapassa 15%, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
O mercado monitora ainda a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana, que pode sinalizar um aperto adicional na Selic, atualmente em 13,75% ao ano.



