Os sete países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) decidiram, em reunião virtual neste domingo, 2, implementar um aumento na cota de produção de 188 mil barris por dia (bpd). O ajuste será aplicado em setembro de 2026, conforme comunicado oficial divulgado ao final do encontro.
A reunião contou com a participação da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. O grupo revisou as condições e perspectivas do mercado global de petróleo antes de anunciar a medida, que é relativa aos ajustes voluntários adicionais anunciados em abril de 2023.
O que é a Opep+?
A Opep+ é a aliança entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, criada em 1960, e países aliados como a Rússia. O grupo surgiu com o objetivo de coordenar a política de produção dos principais exportadores, de modo a evitar oscilações bruscas de preços no mercado internacional.
No comunicado, os integrantes afirmaram que a decisão segue o compromisso coletivo de apoiar a estabilidade do mercado de petróleo. A medida também reitera a intenção de alcançar plena conformidade com a Declaração de Cooperação, incluindo os ajustes voluntários adicionais monitorados pelo Comitê Conjunto de Monitoramento Ministerial (JMMC).
Aumento por país
A elevação da cota de produção será distribuída da seguinte forma entre os sete países:
- Algéria: +6 mil bpd
- Iraque: +26 mil bpd
- Kuwait: +16 mil bpd
- Arábia Saudita: +62 mil bpd
- Cazaquistão: +10 mil bpd
- Omã: +5 mil bpd
- Rússia: +62 mil bpd
Os dados mostram que Arábia Saudita e Rússia, dois dos maiores produtores do grupo, terão as maiores elevações, com 62 mil bpd cada um.
Compensação de superprodução
Os países membros confirmaram a intenção de compensar totalmente qualquer volume superproduzido desde janeiro de 2024. Segundo o comunicado, o processo de compensação será acelerado, e todos os ajustes serão monitorados pelo JMMC.
Os volumes superproduzidos serão corrigidos por meio de cortes adicionais nos meses seguintes, conforme as regras da Declaração de Cooperação. A decisão é vista como uma forma de reforçar a disciplina produtiva dentro do grupo, preservando a credibilidade da aliança no mercado global de petróleo.
Governo brasileiro estuda imposto de exportação
Em paralelo, o governo brasileiro avalia reduzir ou até zerar o imposto de exportação de petróleo. A declaração foi feita pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, que afirmou que a retirada do tributo seria gradual, condicionada ao fim da guerra do Irã.
De acordo com o ministro, a medida está em estudo pela equipe econômica. A informação foi registrada pelo Estadão, que também destacou que o governo acompanha as mudanças no cenário internacional para calibrar a política tributária.
Impacto para o Brasil
O Brasil não integra a Opep+, mas é um dos grandes produtores de petróleo fora do grupo. Mudanças nas cotas de produção afetam os preços internacionais e, consequentemente, a arrecadação do país com exportações e tributos.
A eventual redução do imposto de exportação, caso confirmada, poderá alterar a competitividade do petróleo brasileiro no exterior. A medida também reflete a expectativa do governo de que o fim do conflito envolvendo o Irã normalize as condições de oferta.
Próxima reunião
A próxima reunião da Opep+ está agendada para 6 de setembro de 2026. Na ocasião, o grupo deve avaliar a implementação dos ajustes de produção e o cumprimento das metas de compensação.
O encontro deste domingo foi o mais recente esforço dos maiores exportadores para equilibrar oferta e demanda em um mercado sujeito a tensões geopolíticas e variações econômicas. A organização, que nasceu há quase 70 anos como Opep, segue como um dos principais fóruns mundiais para decisões sobre oferta e preço do petróleo.



