Etanol, biometano e eletrificação: Brasil lidera transição energética no transporte
Etanol, biometano e eletrificação: Brasil na transição energética

A combinação entre eletrificação, etanol e biometano pode representar uma vantagem competitiva do Brasil na transição energética do transporte. A avaliação foi compartilhada por executivos da Scania, Copersucar e WEG durante debate realizado na quarta-feira, 10, no Anfavea Visions 2026. Para os participantes, a matriz energética brasileira permite avançar na redução de emissões sem depender de uma única tecnologia.

Sem solução única

Os executivos defendem que a transição energética no transporte não será conduzida por uma fonte exclusiva de energia. Diferentes tecnologias deverão coexistir e atender aplicações específicas conforme as características de cada operação.

O CEO da Scania América Latina, Christopher Podgorski, destaca que programas como Inovar-Auto, Rota 2030 e o atual Mover ajudam a direcionar investimentos da indústria, mas defende políticas industriais mais duradouras. Para ele, a previsibilidade é fundamental em projetos que exigem comprometimento de longo prazo. “São excelentes programas, mas têm começo e fim”, diz.

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O CEO da Copersucar, Tomás Manzano, argumenta que a discussão não deve ser tratada como disputa entre eletrificação e biocombustíveis. “Não existe uma solução única que será aplicada massivamente em todas as geografias. O mundo precisa de todas as soluções ao mesmo tempo”, diz. Para ele, a variedade de fontes energéticas disponível no Brasil é uma vantagem competitiva.

Brasil como exportador de soluções

Podgorski afirma que tecnologias desenvolvidas para o mercado brasileiro começam a despertar interesse em países com desafios semelhantes, como na América Latina, na África e na Ásia. Segundo ele, durante muito tempo a indústria automotiva global esteve concentrada em soluções voltadas à realidade europeia, mas cresce o reconhecimento de que tecnologias de mercados emergentes podem ser aplicadas em outras regiões. O movimento, acrescenta, também está ligado à discussão sobre o reconhecimento dos biocombustíveis nos marcos regulatórios internacionais.

Etanol e biometano ganham protagonismo

Manzano defende que os biocombustíveis têm potencial para ampliar sua participação na matriz energética global sem exigir grandes investimentos adicionais em infraestrutura. Cita o etanol como exemplo: apesar da experiência acumulada pelo Brasil ao longo de cinco décadas, o combustível ainda tem participação reduzida na maior parte dos mercados internacionais. Segundo ele, se o restante do mundo elevasse a mistura de etanol para 5%, isso representaria um volume equivalente a toda a produção brasileira atual.

Outro destaque é o biometano produzido a partir da vinhaça da cana-de-açúcar. O executivo afirma que o combustível apresenta intensidade de carbono até 90% menor do que alternativas fósseis e pode ser entre 20% e 30% mais barato do que o diesel. Manzano também ressalta que o Brasil possui escala de produção difícil de ser reproduzida por outros países, dada a dimensão de sua indústria sucroenergética.

Eletrificação depende de infraestrutura

Representando a WEG, especializada na fabricação e comercialização de motores elétricos, Alberto Kuba afirma que a mobilidade elétrica é uma das verticais estratégicas da companhia e que a eletrificação dos veículos comerciais continuará avançando. O principal desafio, segundo ele, está na construção de infraestrutura capaz de acompanhar o crescimento da demanda — o que envolve não apenas veículos, mas também sistemas de armazenamento de energia, carregadores de alta potência e integração com a rede elétrica.

Kuba também destaca que os veículos tendem a se tornar cada vez mais digitais e conectados. Baterias de carros elétricos, segundo ele, poderão atuar como sistemas de armazenamento para residências e empresas, ampliando a integração entre mobilidade e sistema elétrico.

Caminhões elétricos e condução autônoma

Para a Scania, a eletrificação deve avançar no transporte pesado especialmente em corredores logísticos onde a infraestrutura de recarga seja economicamente viável. Podgorski cita o eixo Rio-São Paulo-Campinas como uma das regiões com potencial para adoção mais rápida de caminhões elétricos.

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O executivo também menciona os sistemas autônomos, que dependem ainda de avanços regulatórios para ganhar escala, e a conectividade dos veículos, cujos dados deverão ser cada vez mais utilizados para aumentar a eficiência operacional das transportadoras.

Coexistência como estratégia

O consenso entre os participantes é que a descarbonização do transporte exigirá a convivência entre diferentes fontes de energia. Eletrificação, etanol, biometano e outras alternativas renováveis são apontados como soluções complementares para reduzir emissões sem comprometer a competitividade do setor. Para Manzano, o momento já é presente: “Não é o Brasil do futuro. É o Brasil do presente.”