Estoque de petróleo dos Estados Unidos atinge o menor nível desde 2018
Estoque de petróleo dos EUA é o menor desde 2018

Os estoques comerciais de petróleo bruto dos Estados Unidos recuaram para o menor nível desde novembro de 2018, de acordo com o relatório semanal da Administração de Informação de Energia (EIA) divulgado nesta quarta-feira.

Na semana encerrada em 24 de julho, os estoques caíram em 4,3 milhões de barris, totalizando cerca de 435 milhões de barris. O mercado esperava uma redução menor, de 2,5 milhões de barris, segundo pesquisa da agência Reuters. O dado acendeu alerta no mercado global de energia, que já enfrenta pressão altista nos preços.

Demanda aquecida e oferta restrita

A forte demanda doméstica por gasolina e diesel, impulsionada pela temporada de viagens de verão e pela recuperação econômica, tem pressionado os estoques. Além disso, os cortes de produção da Opep+ limitaram a oferta global de petróleo, elevando as importações dos EUA para compensar a demanda interna.

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“O mercado de petróleo está claramente apertado, com estoques caindo mais que o esperado”, disse Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho Securities. “Isso sinaliza que a demanda está superando a oferta, o que pode manter os preços elevados por mais tempo.”

Impacto nos preços e nas políticas energéticas

A redução dos estoques contribuiu para a alta do petróleo Brent, que fechou acima de US$ 75 o barril. Analistas apontam que o governo norte-americano pode pressionar a Opep+ a aumentar a produção, enquanto a indústria doméstica corre para elevar a perfuração de novos poços.

O relatório também mostrou que a produção doméstica de petróleo nos EUA permaneceu estável em 11,3 milhões de barris por dia, abaixo do pico de 13 milhões registrado em 2019. A falta de investimento em novos poços é um dos fatores que limita a oferta, apesar dos preços elevados.

Efeitos sobre os consumidores

A queda dos estoques tem impacto direto nos preços dos combustíveis. O preço médio da gasolina nos EUA subiu para US$ 3,50 por galão, o maior desde 2014, segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA). Isso pressiona a inflação e reduz o poder de compra das famílias, além de gerar preocupações no governo Biden sobre os custos de transporte.

Por outro lado, os estoques de destilados, como diesel e óleo de aquecimento, apresentaram leve alta, amenizando parcialmente o cenário de aperto.

Perspectivas para o curto prazo

Com a proximidade da temporada de furacões no Golfo do México, o mercado permanece atento a possíveis interrupções na produção. A EIA projeta que os estoques devem continuar caindo nas próximas semanas, o que pode elevar ainda mais os preços e aumentar a volatilidade.

Especialistas alertam que a situação pode se agravar caso a demanda não arrefeça e a Opep+ mantenha a disciplina de oferta. O próximo relatório da EIA, em 6 de agosto, será acompanhado de perto por investidores e formuladores de políticas, especialmente em um ano eleitoral nos Estados Unidos.

Reação do mercado financeiro

Na Bolsa de Valores de Nova York, as ações de empresas de energia subiram com a notícia, refletindo a expectativa de margens maiores. O índice de energia do S&P 500 avançou 1,2% no dia. Já as ações de companhias aéreas e transportadoras recuaram, pressionadas pelo receio de custos mais altos com combustíveis.

A combinação de estoques baixos e demanda robusta continua a sustentar os preços do petróleo, que acumulam alta de mais de 40% no ano. Investidores monitoram de perto os próximos passos da Opep+, que se reúne em agosto para discutir a política de produção a partir de setembro.

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