Decomposição termomagnética pode destravar investimento em resíduos sólidos
Decomposição termomagnética e resíduos sólidos

A decomposição termomagnética surge como uma tecnologia promissora para transformar resíduos sólidos urbanos em energia e insumos, destravando investimentos no setor. O processo, que combina calor e campos magnéticos, pode processar materiais orgânicos e inorgânicos sem emissão de poluentes, gerando gás de síntese, óleo e carvão vegetal.

Como funciona a tecnologia

Segundo Marcello José Abbud, especialista em resíduos sólidos, a decomposição termomagnética utiliza um reator que aquece os resíduos a temperaturas entre 400°C e 800°C na presença de um campo magnético. Esse processo quebra as moléculas dos materiais, produzindo gás combustível (rico em hidrogênio e monóxido de carbono), óleo leve e um resíduo sólido carbonáceo. "A tecnologia permite tratar resíduos que hoje vão para aterros, como plásticos, pneus e biomassa, com eficiência energética superior à incineração tradicional", afirma Abbud.

Potencial de investimento no Brasil

O Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais apenas 4% são reciclados. A maior parte vai para aterros sanitários ou lixões, causando impactos ambientais. Com a decomposição termomagnética, estima-se que cada tonelada de resíduo possa gerar até 600 kWh de energia elétrica, além de subprodutos comercializáveis. "Isso representa um mercado potencial de bilhões de reais, atraindo investidores interessados em energia renovável e economia circular", destaca Abbud.

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Vantagens ambientais e econômicas

Diferente da incineração, a decomposição termomagnética não libera dioxinas nem furanos, pois opera em atmosfera controlada. O processo é neutro em carbono, já que o carbono dos resíduos é fixado no carvão vegetal, que pode ser usado como fertilizante ou material de construção. Além disso, o gás de síntese pode alimentar motogeradores ou turbinas, substituindo combustíveis fósseis. "É uma solução que transforma um passivo ambiental em ativo econômico", afirma o especialista.

Desafios para implementação

Apesar do potencial, a tecnologia ainda enfrenta barreiras no Brasil. O custo de implantação de uma planta de decomposição termomagnética é elevado, variando de R$ 50 milhões a R$ 200 milhões, dependendo da capacidade. Além disso, falta regulamentação específica para o aproveitamento energético de resíduos. "Precisamos de políticas públicas que incentivem investimentos, como linhas de financiamento e simplificação de licenciamento ambiental", sugere Abbud.

Casos de sucesso internacionais

Países como Japão, Alemanha e Estados Unidos já utilizam a decomposição termomagnética em escala comercial. No Japão, uma planta processa 300 toneladas de resíduos por dia, gerando eletricidade para 10 mil residências. Na Alemanha, a tecnologia é usada para reciclar pneus inservíveis, produzindo negro de fumo e óleo combustível. "O Brasil pode aprender com essas experiências e adaptá-las à nossa realidade", conclui Abbud.

Perspectivas para o futuro

Com a crescente pressão por soluções sustentáveis e a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa, a decomposição termomagnética se posiciona como uma alternativa viável. Empresas brasileiras já estudam projetos-piloto em parceria com universidades. "Em cinco anos, podemos ter as primeiras usinas comerciais operando no país, gerando empregos e renda a partir do lixo", projeta o especialista.

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