O Brasil mantém usinas a carvão em operação apesar de serem fontes poluentes e de alto custo. O Projeto de Lei 1.371/2025, em tramitação no Congresso, propõe estender a contratação dessas termelétricas até 2050, o que gerou reações contrárias de ambientalistas e especialistas em energia.
Carvão: energia cara e suja
As usinas a carvão estão entre as fontes mais poluentes da matriz elétrica brasileira. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), elas emitem cerca de 1 tonelada de CO₂ por MWh gerado, muito acima da média nacional, que é de aproximadamente 0,1 tCO₂/MWh devido à predominância hidrelétrica. Além do impacto ambiental, o custo da geração a carvão é elevado: o preço médio da energia dessas usinas chega a R$ 600/MWh, contra R$ 200/MWh das hidrelétricas e R$ 150/MWh das eólicas.
Projeto de lei prolonga subsídios
O PL 1.371/2025, de autoria do deputado federal Afonso Hamm (PP-RS), prevê a contratação de potência das termelétricas a carvão até 2050, com garantia de receita fixa paga por todos os consumidores via encargos setoriais. Críticos apontam que isso representa um subsídio estimado em R$ 1,5 bilhão por ano, onerando a conta de luz. “Manter o carvão por mais 25 anos é um contrassenso ambiental e econômico”, afirma o engenheiro eletricista e consultor João Carlos Mello, da Thymos Energia. “Com planejamento, é possível eliminar essa fonte sem prejuízo à segurança energética.”
Impactos sociais e regionais
A resistência à eliminação do carvão vem principalmente da região Sul, onde estão localizadas as principais usinas, como a Candiota III, da Âmbar Energia, no Rio Grande do Sul. A empresa afirma que gera energia com combustível nacional (carvão mineral gaúcho) e com custo que é um quarto do valor das alternativas de reserva, como as térmicas a gás natural. O setor emprega diretamente cerca de 5 mil trabalhadores na mineração e geração, o que torna a transição um desafio social. “Não se pode simplesmente fechar as usinas sem um plano de recolocação profissional e desenvolvimento regional”, pondera o economista Carlos Alberto dos Santos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Caminhos para a transição
Especialistas defendem que o Brasil poderia abandonar o carvão até 2035 com investimentos em fontes renováveis e armazenamento de energia. A capacidade instalada das usinas a carvão é de cerca de 3 GW, menos de 2% da matriz elétrica nacional. “Substituir essa potência por solar, eólica e baterias é perfeitamente viável”, afirma Mello. No entanto, o PL 1.371/2025 segue em tramitação e conta com apoio de parlamentares da região Sul e do setor de mineração. A discussão opõe metas climáticas e interesses econômicos regionais, em um debate que deve se intensificar nos próximos meses.



