Aneel endurece regras para primeiro leilão de baterias do Brasil
Aneel endurece regras para primeiro leilão de baterias

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu colocar em consulta pública o edital dos primeiros leilões de baterias do Brasil, com regras mais duras para evitar especulação e a participação de empreendedores sem capacidade técnica e financeira. A proposta, aprovada em reunião nesta terça-feira, inclui exigências elevadas para as garantias a serem aportadas pelos investidores, mas também traz um ponto polêmico: a alocação dos custos da contratação das baterias aos geradores de energia, sem definição clara sobre a divisão do pagamento.

Novas regras para o leilão inédito

Conforme diretrizes do Ministério de Minas e Energia, o leilão ocorrerá em duas datas em dezembro, com uma concorrência específica para projetos que utilizem equipamentos nacionais e outra sem exigência de nacionalização. Os empreendimentos vencedores deverão entrar em operação a partir de agosto de 2028, com contratos de 15 anos. A expectativa é de que a contratação de baterias ajude a aumentar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro, permitindo o armazenamento de energia para momentos de maior demanda.

Garantias mais rígidas contra especulação

Por sugestão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Aneel alterou o cálculo das garantias. A garantia de proposta, apresentada pelos investidores para participar do leilão, passou a corresponder a 1% do valor estimado do investimento no projeto. Já a garantia de fiel cumprimento, exigida para a execução do empreendimento, foi elevada para 10% do investimento. Além disso, o regulador vedou a venda dos projetos de baterias pelos vencedores antes de sua entrada em operação comercial, regra já aplicada em outras licitações do setor.

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"Essas definições buscam desincentivar comportamento especulativo no leilão, inédito no Brasil, e melhorar a seleção dos vencedores, afastando empreendedores sem capacidade técnica e financeira suficiente para entregar os projetos", destacou a Aneel em comunicado.

Polêmica sobre os custos do leilão

Diferentemente de outras contratações do setor elétrico, as baterias serão custeadas pelos geradores de energia, e não pelos consumidores. A medida, aprovada em lei no ano passado, foi pensada para atribuir os custos a quem deu causa à necessidade das baterias: os próprios geradores. No entanto, a alocação tende a elevar os custos da contratação, já que os geradores participarão do leilão e precificarão o encargo em seus lances.

Os geradores tentam afastar esse custeio por meio de uma nova lei no Congresso. Paralelamente, pedem que a Aneel defina a base pagante antes da realização do leilão, em dezembro, alegando que isso traria mais segurança jurídica. O relator do processo, diretor Gentil Nogueira, afirmou que a agência tentará avançar com o debate sobre o rateio do encargo nos próximos meses, mas reconheceu que será "difícil" concluir o tema antes da publicação do edital.

"A Aneel, dentro das limitações que temos hoje… isso é o máximo de segurança jurídica que conseguimos entregar agora", afirmou Nogueira.

Divergências entre diretores

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, avaliou que será uma "discussão árida" e apontou que, em sua avaliação, há geradores para os quais o pagamento do encargo não faria sentido, já que eles mesmos proveem armazenamento, como hidrelétricas com reservatório e algumas termelétricas. A agência decidiu realizar um sorteio antecipado do relator responsável pelo processo que discutirá o rateio do encargo, com o objetivo de acelerar a análise. Também será feita uma consulta à Procuradoria Federal sobre a questão, buscando clareza quanto a possíveis desdobramentos em caso de eventual judicialização por parte dos geradores.

A consulta pública do edital ficará aberta por 30 dias, e a Aneel espera receber contribuições de agentes do setor e da sociedade antes de publicar a versão final. O leilão de baterias representa um marco para o sistema elétrico brasileiro, que busca incorporar tecnologias de armazenamento para dar suporte à crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

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