A XP Investimentos atualizou suas projeções para o preço do petróleo e revisou para cima os preços-alvo de ações do setor, como Petrobras (PETR3, PETR4), PRIO (PRIO3) e Brava (BRAV3). A análise, assinada por Regis Cardoso, aponta que a normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz, impactados pela guerra no Irã, deve levar a uma forte queda do Brent, mas a XP espera apenas uma acomodação parcial, mantendo um prêmio de risco geopolítico no curto e médio prazo.
Novas premissas para o Brent
A XP elevou as premissas do Brent para US$ 86 por barril em 2026 (média de US$ 88/bbl para o restante do ano), US$ 75/bbl em 2027 e US$ 70/bbl a partir de 2028, ante US$ 65/bbl anteriormente. Como resultado, as estimativas e preços-alvo de toda a cobertura foram revisados para cima, mantendo as recomendações inalteradas.
Recomendações e preços-alvo
Para Petrobras, PRIO e Brava, a recomendação segue como compra. Já a PetroRecôncavo (RECV3) continua neutra. Os novos preços-alvo são:
- PETR4: de R$ 47 para R$ 63 (potencial de valorização de 54%)
- PRIO3: de R$ 64 para R$ 78 (upside de 28%)
- BRAV3: de R$ 22 para R$ 25 (upside de 19%)
- RECV3: de R$ 12 para R$ 13 (potencial de alta de 21%)
Destaques do fluxo de caixa
As novas estimativas indicam rendimento do fluxo de caixa livre (FCFE yield) de 24% em 2026 e 26% em 2027 para PRIO, e 13% para a Petrobras em ambos os anos. A Brava se destaca com yield de 33% em 2027, embora a XP mantenha cautela devido a incertezas sobre preços e produção.
Cenário esperado
Segundo os analistas, os preços devem se acomodar ao longo do ano, mas as ações de Energia e Petróleo só se tornarão atrativas com o Brent entre US$ 65 e US$ 70 por barril, especialmente para PRIO e Petrobras. Nesse nível, o fluxo de caixa livre seria de 16% a 18% e 7% a 9%, respectivamente.
Apesar disso, a XP alerta para riscos de queda. Muitos investidores acreditam que a normalização dos fluxos evidenciaria um mercado sobreofertado, o que poderia levar o Brent a níveis pré-conflito, próximos a US$ 60/bbl ou abaixo. Embora não seja o cenário base, os analistas reconhecem que isso implicaria downside relevante para as estimativas e preços-alvo.



