Vender exige mais que preço e qualidade, afirma consultora
Vender exige mais que preço e qualidade, diz consultora

Em um cenário de ofertas abundantes e concorrência acirrada, oferecer um bom produto ou serviço já não é suficiente para conquistar e reter clientes. A transformação digital ampliou as opções disponíveis e elevou as expectativas dos consumidores, que passaram a buscar identificação, relevância e valor percebido ao longo de toda a jornada de compra. Para Kênia Cristina Gomes, mentora e consultora de negócios especializada em mentalidade, posicionamento, liderança e vendas, o comportamento do consumidor mudou de forma significativa nos últimos anos, exigindo das empresas uma visão mais ampla sobre o processo comercial.

Fatores além do preço e qualidade

“Preço e qualidade continuam sendo importantes, mas deixaram de ser os únicos fatores considerados pelo consumidor. Hoje, as pessoas também avaliam como são atendidas, como a empresa se comunica e qual significado aquela marca representa em suas vidas”, afirma Kênia. Na avaliação da especialista, essa mudança acompanha um mercado onde produtos semelhantes coexistem e as diferenças técnicas já não são suficientes para influenciar a escolha. Outros fatores ganham protagonismo, como atendimento, linguagem, ambiente, agilidade, coerência entre discurso e prática e a forma como problemas são solucionados.

Decisão de compra envolve aspectos objetivos e subjetivos

Kênia Cristina ressalta que a decisão de compra envolve tanto critérios objetivos quanto aspectos ligados ao comportamento humano. Compreender como diferentes pessoas processam informações e tomam decisões tornou-se uma competência estratégica para empresas que desejam fortalecer seu posicionamento. “Hoje, vender também significa compreender expectativas, reconhecer necessidades e estabelecer relações que façam sentido para o consumidor”, explica.

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Ferramentas comportamentais na comunicação

Nesse contexto, ferramentas de análise comportamental têm sido utilizadas para tornar a comunicação mais assertiva. Uma delas é a análise de perfil comportamental DISC, metodologia que identifica tendências predominantes relacionadas a Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade. “Não se trata de criar um roteiro pronto para vender mais, mas de compreender que cada cliente possui necessidades, expectativas e formas diferentes de se relacionar durante uma negociação”, esclarece a especialista. A proposta não é rotular pessoas, mas compreender diferentes formas de comunicação e tomada de decisão, permitindo que empresários, líderes, vendedores e profissionais de atendimento adaptem suas abordagens de maneira mais estratégica.

Identificando perfis na prática

Durante uma conversa, é possível identificar sinais relacionados ao ritmo de decisão, necessidade de detalhes, nível de interação e estilo de comunicação. Consumidores com perfil mais dominante valorizam objetividade, rapidez e foco em resultados. Pessoas com perfil influente respondem melhor a interações marcadas por entusiasmo, proximidade e reconhecimento. Já consumidores com características mais estáveis priorizam segurança, previsibilidade e um atendimento acolhedor. Perfis analíticos dedicam maior atenção às informações técnicas, comparações e consistência dos argumentos apresentados. Compreender essas diferenças permite construir relações mais alinhadas às expectativas do consumidor, evitando uma comunicação padronizada para públicos com comportamentos distintos.

A jornada começa antes da compra

Outro aspecto destacado por Kênia é que a jornada do consumidor começa muito antes da conclusão da compra. “A forma como a empresa recebe o cliente, responde às suas dúvidas, organiza seus canais de atendimento, conduz o pós-venda e mantém coerência em todos os pontos de contato influencia diretamente a imagem construída sobre a marca.” Organizações que oferecem uma experiência consistente fortalecem sua reputação, ampliam sua relevância e criam diferenciais que vão além do produto ou serviço.

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Pequenas mudanças, grandes resultados

Kênia ressalta que essa transformação não depende necessariamente de grandes investimentos. “Pequenas mudanças costumam produzir resultados expressivos: ouvir com atenção, demonstrar interesse genuíno, personalizar o atendimento, agir com transparência e manter coerência entre aquilo que a empresa comunica e aquilo que efetivamente entrega.” Em um ambiente de negócios cada vez mais automatizado, preservar a qualidade das relações humanas tornou-se um importante diferencial competitivo. “Empresas memoráveis não são lembradas apenas pelo que vendem. Elas são reconhecidas pela forma como fazem as pessoas se sentirem durante toda a jornada de relacionamento.”

Construindo vínculos de longo prazo

Para Kênia Cristina, organizações que conseguem transformar cada interação em uma oportunidade de gerar valor tendem a conquistar algo que ultrapassa a fidelização: fortalecem sua reputação, ampliam sua relevância no mercado e constroem vínculos capazes de sustentar o crescimento no longo prazo. Kênia Cristina é mentora de negócios, consultora empresarial, palestrante, especialista em Gestão de Pessoas e analista de perfil comportamental DISC. Com mais de 30 anos de carreira no ambiente corporativo e empresarial, atua no desenvolvimento de líderes, equipes e negócios, auxiliando empresas a fortalecerem sua cultura, aperfeiçoarem a comunicação e criarem estratégias mais humanizadas de gestão, vendas e relacionamento com clientes. É coautora do livro “Líderes do Século 21”, obra que reúne especialistas para discutir os desafios e as transformações da liderança contemporânea.