O CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli, afirmou nesta terça-feira que o mercado de telecomunicações brasileiro enfrenta o risco de as operadoras abandonarem uma postura racional em favor da competitividade, repetindo erros do passado que levaram à destruição de valor no setor. Durante evento do setor, o executivo destacou que a pressão por resultados imediatos e a guerra de preços podem levar a decisões prejudiciais à sustentabilidade do mercado.
O alerta do CEO
Griselli alertou que a atual dinâmica competitiva está levando as empresas a focar excessivamente em ganhos de curto prazo, em detrimento de investimentos de longo prazo em infraestrutura e qualidade. "Há um risco real de que as empresas, pressionadas pela concorrência, tomem decisões irracionais", disse o CEO. "Não podemos repetir erros do passado, quando a guerra de preços destruiu valor no setor."
Segundo o executivo, a TIM Brasil tem observado uma queda de 5% no ARPU (receita média por usuário) nos últimos trimestres, reflexo da intensa concorrência. A empresa, que encerrou o segundo trimestre com 62 milhões de clientes, teme que a rentabilidade seja ainda mais pressionada se as operadoras continuarem a competir exclusivamente por preço.
Pressão competitiva
O mercado de telecomunicações brasileiro é marcado por alta concentração, com quatro grandes operadoras disputando clientes. Griselli destacou que a entrada de novos players, como as operadoras virtuais (MVNOs), e a expansão da fibra óptica aumentaram a pressão sobre as margens. "A competição é saudável, mas precisa ser equilibrada com responsabilidade financeira", afirmou.
O CEO também criticou a falta de racionalidade em algumas ofertas promocionais. "Vemos promoções que claramente não cobrem os custos operacionais. Isso é insustentável e prejudica todo o ecossistema", disse. Ele defendeu que as operadoras busquem diferenciação por meio da qualidade do serviço e da inovação, em vez de apenas preço.
Impactos para o consumidor
Griselli alertou que a estratégia de competição predatória pode, no longo prazo, prejudicar os consumidores. "Se as empresas não investirem em rede e atendimento, a qualidade dos serviços cai, e o consumidor perde", explicou. Ele defendeu a necessidade de políticas regulatórias que incentivem a sustentabilidade do setor.
O executivo também mencionou que a TIM Brasil está focada em eficiência operacional e inovação para manter a competitividade sem sacrificar a rentabilidade. "Estamos investindo em 5G e em soluções digitais para gerar valor adicional", disse. No entanto, ressaltou que a racionalidade do mercado como um todo é essencial para o futuro do setor.
Perspectivas
Analistas do setor acompanham de perto as declarações de Griselli. Para eles, o alerta do CEO reflete uma preocupação generalizada entre as operadoras. "O mercado precisa encontrar um equilíbrio entre competição e sustentabilidade", afirmou um analista da XP Investimentos. O risco de repetir os erros do passado, quando a guerra de preços levou a fusões e aquisições, é real.
A TIM Brasil, controlada pela italiana Telecom Italia, é a terceira maior operadora do país em número de clientes. A empresa tem buscado se diferenciar por meio da qualidade da rede e do atendimento. Griselli concluiu que a racionalidade deve prevalecer para que o setor continue a se desenvolver de forma saudável.



