O setor mineral brasileiro registrou faturamento de R$150,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 8,2% na comparação com igual período de 2025. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O desempenho reflete a demanda global aquecida por commodities minerais, com destaque para o minério de ferro, que respondeu por 64% da receita total.
Minério de ferro lidera receitas, mas metais estratégicos ganham espaço
O minério de ferro manteve a posição de principal produto, gerando R$96,5 bilhões em vendas. O volume exportado cresceu 3,2%, enquanto o preço médio internacional subiu 4,5% no período. Outros metais também tiveram contribuição relevante: o alumínio registrou faturamento de R$12,8 bilhões (alta de 11,3%) e o níquel, R$9,4 bilhões (aumento de 14,7%). Ambos são considerados essenciais para a transição energética e a fabricação de baterias.
Demanda global sustenta crescimento, mas riscos geopolíticos preocupam
Segundo o presidente do Ibram, Raul Jungmann, o resultado positivo é fruto da estabilidade da demanda internacional, especialmente da China e da Índia. “Estamos colhendo os frutos de investimentos feitos nos últimos anos, mas devemos ficar atentos aos riscos geopolíticos e às volatilidades cambiais”, afirmou. Jungmann destacou que o setor tem ampliado sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, chegando a 4,5% no primeiro semestre.
Impactos regionais e geração de empregos
O crescimento do faturamento teve reflexos diretos nas regiões produtoras. Minas Gerais, maior estado minerador, respondeu por 42% do total, com R$63,3 bilhões. O Pará, segundo maior, contribuiu com R$45,2 bilhões (30% do total). Juntos, os dois estados concentram 72% da produção nacional. O setor gerou 185 mil empregos diretos no semestre, aumento de 2,1% ante o mesmo período de 2025.
Exportações e balança comercial
As exportações do setor mineral somaram US$28,4 bilhões no primeiro semestre, alta de 6,9% em relação ao ano anterior. O saldo da balança comercial mineral foi positivo em US$16,2 bilhões, contribuindo para o superávit da balança comercial brasileira. O minério de ferro representou 72% do valor exportado, seguido pelo cobre (8%) e ouro (6%).
Perspectivas para o segundo semestre
O Ibram projeta que o faturamento anual de 2026 ultrapasse R$300 bilhões, caso as condições de mercado se mantenham. No entanto, a entidade alerta para possíveis impactos da desaceleração econômica na China e das eleições nos Estados Unidos sobre os preços das commodities. “O cenário é otimista, mas monitoramos de perto as variáveis externas”, concluiu Jungmann.



