A Rio Tinto, uma das maiores mineradoras do mundo, anunciou lucro líquido de US$ 6,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado pela elevação dos preços do minério de ferro e do cobre, além de ganhos de eficiência operacional.
Desempenho financeiro e operacional
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou US$ 12,3 bilhões, com margem de 45%. A receita líquida atingiu US$ 27,1 bilhões, crescimento de 8% na comparação anual. A empresa atribuiu o desempenho à forte demanda da China por insumos siderúrgicos e à recuperação da indústria global de cobre.
No segmento de minério de ferro, a produção no primeiro semestre alcançou 155 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 157 milhões do ano anterior, devido a manutenções programadas. Já a produção de cobre subiu 9%, para 320 mil toneladas, beneficiada pela entrada em operação da mina de Oyu Tolgoi, na Mongólia.
Impacto dos preços das commodities
O preço médio realizado do minério de ferro no semestre foi de US$ 105 por tonelada, ante US$ 92 no primeiro semestre de 2025. O cobre teve cotação média de US$ 8.500 por tonelada, alta de 15%. Esses aumentos compensaram a elevação dos custos operacionais, que subiram 5% devido à inflação de insumos como energia e mão de obra.
De acordo com o CEO da Rio Tinto, Jakob Stausholm, “os resultados refletem a solidez de nossas operações e a disciplina financeira. Continuamos focados em maximizar o valor para os acionistas, ao mesmo tempo que investimos em projetos de crescimento sustentável”. A empresa declarou um dividendo semestral de US$ 2,50 por ação, acima dos US$ 2,20 pagos no primeiro semestre de 2025.
Perspectivas e desafios
Para o segundo semestre de 2026, a Rio Tinto projeta produção de minério de ferro entre 310 e 320 milhões de toneladas no ano, e de cobre entre 640 e 660 mil toneladas. A empresa alerta, no entanto, para riscos como a volatilidade dos preços das commodities, tensões geopolíticas e custos com descarbonização.
A mineradora também anunciou um programa de recompra de ações de US$ 1,5 bilhão, válido até o fim do ano. Analistas do mercado financeiro consideraram o resultado positivo, com a ação da Rio Tinto subindo 2,3% na Bolsa de Londres após o anúncio. O lucro do primeiro semestre superou as estimativas do consenso, que apontavam para US$ 6,2 bilhões.
Investimentos e sustentabilidade
A Rio Tinto destinou US$ 2,8 bilhões em investimentos no período, principalmente para expansão de capacidade em cobre e projetos de energia renovável. A empresa mantém a meta de reduzir suas emissões de carbono em 50% até 2030, com base em 2018. Até o momento, já reduziu 15% das emissões totais.
O CFE da Rio Tinto, Peter Cunningham, destacou que “a geração de caixa robusta nos permite equilibrar retorno aos acionistas com investimentos estratégicos. Estamos confiantes de que a demanda por metais essenciais para a transição energética continuará crescendo”.



