Quando um tênis vira objeto de desejo e entretenimento: o fenômeno dos sneakers
Quando um tênis vira objeto de desejo e entretenimento

O mercado global de tênis de edição limitada movimentou mais de US$ 10 bilhões em 2025, segundo o relatório anual da consultoria Grand View Research. O que antes era um simples calçado esportivo tornou-se objeto de desejo, entretenimento e até investimento financeiro. Marcas como Nike, Adidas e New Balance disputam a atenção de colecionadores dispostos a pagar milhares de reais por pares raros.

O poder das collabs e edições limitadas

As parcerias entre marcas de tênis e artistas, estilistas ou celebridades são o principal motor desse fenômeno. A collab entre a Nike e o rapper Travis Scott, por exemplo, gerou filas virtuais e revendas a preços até 10 vezes maiores que o valor de tabela. “O tênis deixou de ser um item funcional para se tornar uma peça de arte e expressão cultural”, afirma Carlos Martins, analista do mercado de luxo da consultoria Euromonitor.

Números que impressionam

No Brasil, o mercado secundário de tênis colecionáveis cresceu 35% em 2025, impulsionado por plataformas como a StockX e a Drop. O modelo Nike Air Jordan 1 Retro High “Chicago”, lançado originalmente em 1985, alcançou o valor recorde de R$ 120 mil em um leilão online em São Paulo. “É um mercado que combina paixão e especulação”, diz Martins.

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Do consumo ao entretenimento

Além do valor financeiro, os sneakers se tornaram protagonistas de conteúdo digital. Canais no YouTube especializados em unboxing e reviews de tênis somam milhões de seguidores. Eventos como a Sneaker Con Brasil atraem 50 mil visitantes por edição, gerando R$ 200 milhões em negócios diretos e indiretos.

Investimento de risco

Especialistas alertam, porém, que o mercado é volátil. A bolha especulativa já estourou para alguns modelos, como o Yeezy Boost 350, que perdeu 40% de seu valor de revenda entre 2023 e 2025. “É preciso conhecimento para não comprar na alta e vender na baixa”, orienta o economista Ricardo Oliveira, da FGV.

O futuro dos sneakers como ativo

Com a tokenização de ativos, já é possível comprar frações de tênis raros via blockchain. A startup brasileira SneakToken lançou em 2025 o primeiro fundo de investimento em sneakers, com retorno projetado de 12% ao ano. “Estamos profissionalizando o mercado”, afirma a CEO, Juliana Costa. A tendência é que o segmento continue crescendo, mesclando moda, cultura e finanças.

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