Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, garante que os planos de saúde não vão falir, mas alerta para a aceleração dos custos e a necessidade de discutir a incorporação de novas tecnologias. Em entrevista, ele destacou que o setor enfrenta margens de lucro baixas, judicialização crescente e falta de interoperabilidade entre sistemas de saúde, fatores que impactam a eficiência e os custos.
Cobertura estagnada e desafios estruturais
A cobertura dos planos de saúde permanece estagnada em cerca de 25% da população brasileira, o que, segundo Sobral, evidencia a urgência de soluções para ampliar o acesso. Ele ressaltou que a judicialização na saúde suplementar tem crescido, com ações judiciais que pressionam as operadoras a cobrir procedimentos não previstos em contratos, elevando os custos operacionais.
Incorporação de novas tecnologias
Outro ponto crítico é a incorporação de novas tecnologias e tratamentos, que muitas vezes chegam ao mercado com preços elevados sem uma avaliação adequada de custo-efetividade. Sobral defendeu a criação de um processo mais transparente e baseado em evidências para a inclusão de novos itens nos rol de cobertura, envolvendo todos os atores do sistema de saúde.
Interoperabilidade e eficiência
A falta de interoperabilidade entre os sistemas de saúde pública e privada também foi apontada como um entrave. Para Sobral, a troca de informações entre hospitais, laboratórios e operadoras poderia reduzir desperdícios e melhorar o atendimento aos pacientes. Ele citou exemplos de países que já adotam prontuários eletrônicos integrados com sucesso.
Por fim, Sobral afirmou que, apesar dos desafios, o setor de planos de saúde é sólido e não está em risco de quebra. Ele mencionou que as operadoras têm buscado eficiência operacional e reajustes contratuais para equilibrar as contas, mas alertou que sem reformas estruturais, a sustentabilidade do sistema pode ser comprometida no longo prazo.



