P&G tem queda no lucro do 4º tri e prevê desempenho modesto no ano fiscal
P&G: lucro cai no 4º tri e perspectiva modesta para ano fiscal

A Procter & Gamble (P&G) reportou uma queda de 7% no lucro líquido do quarto trimestre fiscal de 2026, encerrado em 30 de junho, para US$ 3,2 bilhões, ou US$ 1,21 por ação, ante US$ 3,44 bilhões, ou US$ 1,27 por ação, no mesmo período do ano anterior. O resultado veio em linha com as expectativas dos analistas, que projetavam lucro de US$ 1,20 por ação, segundo a FactSet.

Receita e vendas orgânicas no trimestre

A receita líquida da gigante de bens de consumo subiu 1,5%, para US$ 20,5 bilhões, ligeiramente acima da estimativa de US$ 20,4 bilhões. O crescimento orgânico das vendas, que exclui efeitos cambiais, aquisições e desinvestimentos, foi de 2%, impulsionado por volumes maiores e maior mix de produtos premium, mas parcialmente compensado por preços ligeiramente menores.

Por segmento, a divisão de beleza registrou crescimento orgânico de 3%, enquanto a de cuidados com a saúde avançou 2%. Já o segmento de tecidos e cuidados domésticos, que responde pela maior parte da receita, teve alta de 1%.

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Perspectiva modesta para o ano fiscal de 2027

A P&G projetou um crescimento orgânico das vendas de 3% a 5% para o ano fiscal de 2027, abaixo do ritmo histórico de 4% a 6%. A empresa também espera um lucro por ação ajustado entre US$ 5,75 e US$ 5,95, praticamente estável em relação aos US$ 5,84 registrados em 2026. O presidente-executivo, Jon Moeller, afirmou: "Estamos operando em um ambiente de consumo desafiador, com pressões inflacionárias persistentes e consumidores mais cautelosos em suas escolhas. Nossa perspectiva reflete esse cenário, mas confiamos em nossas marcas fortes e na inovação para gerar crescimento sustentável."

A previsão conservadora reflete as incertezas macroeconômicas globais, incluindo a desaceleração na China e a queda no poder de compra em mercados emergentes. A companhia espera que o câmbio reduza o lucro em cerca de US$ 0,10 por ação.

Impacto nos resultados anuais e reações do mercado

No ano fiscal completo de 2026, o lucro líquido da P&G recuou 2%, para US$ 14,5 bilhões, enquanto a receita caiu 1%, para US$ 82,1 bilhões, impactada por desinvestimentos (como a venda da marca de recarga de baterias Duracell, em 2025). O crescimento orgânico anual foi de 4%, dentro da meta revisada de 4% a 5%.

Após o anúncio, as ações da P&G caíram 0,8% no pré-mercado em Nova York. Analistas do Goldman Sachs classificaram a perspectiva como "realista, porém sem grandes estímulos", em nota a clientes.

Estratégia de crescimento e inovação

A P&G continua investindo em inovação e marketing para sustentar seu portfólio de marcas, como Pampers, Gillette e Tide. A empresa anunciou planos de lançar novas versões premium de seus produtos, especialmente em cuidados com a pele e fraldas, para atrair consumidores dispostos a pagar mais. No entanto, os custos mais elevados de matérias-primas e logística devem comprimir as margens no curto prazo.

O CFO, André Schulten, destacou: "Estamos comprometidos com a eficiência operacional e a disciplina de custos. Nossa meta é expandir margens gradualmente, mesmo com um ambiente de receitas mais moderado." A empresa espera que a inflação de insumos se mantenha em torno de 1% a 2% no próximo ano fiscal.

Com uma posição de caixa robusta de US$ 17 bilhões, a P&G planeja continuar recomprando ações e pagando dividendos, com previsão de devolver mais de US$ 9 bilhões aos acionistas em 2027.

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