As ações da Oncoclínicas (ONCO3) dispararam mais de 20% na reta final do pregão desta terça-feira (14). Por volta das 16h30 (horário de Brasília), os papéis ONCO3 subiam 25%, cotados a R$ 0,95. O movimento ocorre após a empresa protocolar na segunda-feira (13) um pedido de recuperação extrajudicial (RE) para reestruturar dívidas financeiras quirografárias de aproximadamente R$ 5,1 bilhões.
Objetivo da recuperação extrajudicial
Segundo a Oncoclínicas, o objetivo da RE é criar um “ambiente jurídico estável, seguro e transparente” para negociar com os credores. Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou que, até esta terça-feira (14), conta com adesão expressa ao plano de credores signatários detentores de cerca de 37% dos créditos. Esse percentual, de acordo com a empresa, é suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial e demonstra apoio relevante ao processo.
Prazos e possíveis medidas
A Oncoclínicas afirmou que tem prazo de 90 dias, a contar do processamento da RE, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, com a vinculação de 100% dos créditos abrangidos aos novos termos. A empresa informou que o plano pode envolver, “ainda que não necessariamente”, capitalização pelos acionistas, conversão de parte dos créditos em participação acionária, substituição de parte dos créditos por novas dívidas e alongamento do cronograma de amortização.
Impacto nas operações
A Oncoclínicas destacou que a RE não abrangerá obrigações operacionais correntes com clientes, fornecedores e parceiros, e que elas seguirão sendo honradas “regular e tempestivamente” nos vencimentos. A companhia também disse que suas operações seguem sendo conduzidas normalmente e que a RE não deve impactar adversamente as obrigações com os clientes.
Rescisão de contratos de locação
No mesmo comunicado, a empresa informou que duas controladas rescindiram contratos de locação atípicos na modalidade “built-to-suit”. A Centro Paulista de Oncologia rescindiu contrato relativo a imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo, com multa estimada em cerca de R$ 76 milhões, incluída na lista de créditos abrangidos. Já a Cebrom rescindiu contrato relativo a um pretendido hospital em Goiânia, cuja multa ainda é incerta e ilíquida, segundo a companhia.
Aprovação e assembleia
A Oncoclínicas informou que o pedido de RE foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e será submetido à ratificação de assembleia geral extraordinária, que ainda será convocada.
Disputa entre acionistas
A gestora Latache, uma das principais acionistas da Oncoclínicas, entrou em disputa com o fundo americano Centaurus em torno do pleito para realização de uma oferta pública de ações (OPA) da companhia, após decisão contrária da área técnica da CVM. A negociação envolve uma cifra estimada em R$ 6 bilhões, cerca de dez vezes o valor de mercado da empresa hoje na B3 (R$ 502 milhões). A dívida do grupo soma R$ 3,5 bilhões, o caixa está restrito e as ações despencam 71% no ano.
Possível novo investidor
O jornal Valor Econômico noticiou ainda nesta terça-feira, citando fontes, que a gestora brasileira de private equity IG4 planeja adquirir debêntures conversíveis da Oncoclínicas, investindo cerca de R$ 500 milhões nos títulos. A IG4 não quis comentar. A gestora está concentrando seus investimentos em um número menor de empresas, mirando negócios maiores, complexos e globais, disseram executivos da companhia à Reuters no mês passado. A IG4, que recentemente obteve o controle compartilhado da petroquímica Braskem (BRKM5), também busca adquirir o controle da produtora de açúcar e etanol Raízen (RAIZ4), à medida que a empresa conclui sua reestruturação extrajudicial.



