Natura prevê receita até 10% menor no 2º tri; ações sobem 3,35%
Natura prevê receita até 10% menor no 2º tri; ações sobem

A Natura divulgou fato relevante na manhã desta terça-feira (8) com números preliminares e não auditados do segundo trimestre de 2026, antecipando desempenho mais fraco que o esperado pelo mercado. A receita líquida consolidada deve ficar entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, queda de 9% a 10% na comparação anual.

Ações sobem apesar de projeções pessimistas

Apesar do resultado fraco, os papéis da companhia operam com forte alta, chegando a ser o destaque do Ibovespa pela manhã, com avanço superior a 5%. Às 11h57, as ações subiam 3,35%, cotadas a R$ 8,33. Segundo analistas, o otimismo se deve à expectativa de melhora na margem EBITDA reportada em relação ao primeiro trimestre, quando o indicador ficou em 7,3%.

Marcos Bassani, professor, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, afirma: “Acredito que seja principalmente porque a empresa projeta expansão da margem EBITDA no trimestre, graças a menores despesas com rescisões e ganhos de eficiência do novo modelo operacional.”

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Dificuldades operacionais no Brasil

Segundo a empresa, o resultado foi impactado por dificuldades operacionais no Brasil, incluindo falta de produtos durante a estabilização do novo sistema integrado de planejamento, efeitos da migração para o SAP e a realocação da produção após o fechamento da fábrica de Interlagos. Além disso, a Natura apontou redução relevante no volume do canal de venda por relacionamento, mudanças nas políticas comerciais e de preços entre canais, transição do modelo de franquias e efeitos tributários temporários do ICMS-ST em São Paulo.

Do lado da rentabilidade, o avanço de EBITDA antecipado seria sustentado pela redução de despesas com desligamentos e ganhos de eficiência do novo modelo operacional, compensando parcialmente os efeitos negativos da menor diluição dos custos.

Viés negativo para analistas

Na avaliação da XP, o anúncio tem viés negativo, embora parte das dificuldades já fosse esperada. Os analistas lembram que haviam alertado para a deterioração do canal de venda direta, mas destacam que os números ficaram abaixo de suas projeções mais recentes. O banco previa queda de 6% na receita consolidada do segundo trimestre, ante a retração de 9% a 10% indicada pela companhia. Diante disso, a XP considera que o curto prazo para a Natura está mais pressionado e vê como provável uma nova revisão para baixo das estimativas de resultados.

A receita preliminar de R$ 5,1 bilhões a R$ 5,2 bilhões foi considerada decepcionante pelo Morgan Stanley, ficando abaixo da projeção do banco (R$ 5,6 bilhões) e do consenso de mercado (R$ 5,5 bilhões). No ponto médio, o valor é cerca de 9% inferior à estimativa do banco e 7% abaixo da expectativa média dos analistas.

Rentabilidade e riscos

Em relação à rentabilidade, a Natura indicou expansão da margem EBITDA na comparação trimestral, mas não detalhou a magnitude. O Morgan Stanley já esperava melhora expressiva, com projeção de expansão de 4,9 pontos percentuais ante o trimestre anterior, enquanto o consenso projetava alta de 6,4 pontos percentuais. Diante da receita mais fraca, os analistas veem risco de queda em suas estimativas de margem para o segundo trimestre.

O banco ressalta que a administração não sinalizou mudanças no compromisso de expandir a margem EBITDA reportada ao longo de 2026, tomando como base os 14,1% registrados em 2025. No entanto, considerando a fraqueza das vendas no Brasil, o Morgan Stanley avalia que há riscos para o cumprimento dessa meta. Apesar de reconhecer os avanços na simplificação operacional, o banco afirma que os números preliminares reforçam preocupações sobre a limitada visibilidade da execução do negócio, mantendo recomendação equivalente a desempenho em linha com o mercado (Equal Weight).

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