Montadoras alemãs cortam milhares de empregos com concorrência chinesa
Montadoras alemãs cortam milhares de empregos

A indústria automobilística alemã enfrenta uma onda de demissões em massa. Desde o anúncio da BMW na quarta-feira (29) até os planos da Volkswagen de eliminar até 100 mil postos, as montadoras alemãs estão enxugando seus quadros de funcionários diante da concorrência chinesa, especialmente no setor de veículos elétricos.

BMW corta 8 mil empregos globalmente

A BMW anunciou o corte de até 8 mil postos de trabalho em todo o mundo, afetando cerca de 5% de sua força de trabalho global de 154 mil funcionários. A empresa, que também controla as marcas Mini e Rolls-Royce, informou que o impacto será maior na Alemanha. Embora a BMW fosse considerada mais resiliente à concorrência chinesa, suas vendas na China estão em queda acentuada. No ano passado, as entregas no país caíram para o menor nível desde 2017. No segundo trimestre de 2024, o recuo foi de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além da concorrência chinesa, as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e o aumento dos preços da energia devido aos conflitos no Oriente Médio agravaram a situação. A BMW registrou lucro líquido de 1,2 bilhão de euros no segundo trimestre, queda de 35%, com receita de 31 bilhões de euros, ante 34 bilhões no ano anterior. A empresa revisou suas projeções, alertando para uma "queda significativa" nos lucros.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Porsche elimina 5 mil empregos até 2035

A Porsche, controlada pelo Grupo Volkswagen, anunciou planos de cortar mais 5 mil empregos na Alemanha até o fim de 2035, o que representa cerca de um quinto de seus funcionários. As medidas afetarão a fábrica principal em Stuttgart-Zuffenhausen e o centro de pesquisa e desenvolvimento em Weissach. Em 2023, a Porsche já havia previsto a eliminação de 1,9 mil postos até 2029 e o fim de 2 mil contratos temporários. A empresa também vai adiar aumentos salariais e vincular bônus mais diretamente aos lucros.

A Porsche, que emprega cerca de 41,8 mil pessoas (85% na Alemanha), também reduzirá vagas na fábrica de Leipzig e fechará três subsidiárias com cerca de 500 funcionários.

Volkswagen dobra cortes para até 100 mil empregos

A Volkswagen, maior montadora da Europa, duplicou seu programa de redução de pessoal, agora com planos de eliminar até 100 mil empregos e fechar quatro fábricas na Alemanha. A empresa, que emprega cerca de 630 mil funcionários globalmente (ou 680 mil com joint ventures chinesas), tem uma força de trabalho 60% maior que a da Toyota, apesar de produzir volume similar de veículos. Os sindicatos e o estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto, rejeitaram os planos.

A Volkswagen mantém internamente mais etapas de produção, elevando a demanda por mão de obra, enquanto os custos nas fábricas alemãs chegam a ser o dobro dos concorrentes. O avanço lento no segmento de elétricos enfraqueceu suas vendas na China, mercado que já representou um terço das entregas globais.

Mercedes-Benz evita demissões compulsórias

A Mercedes-Benz acertou com o conselho de trabalhadores um plano de economia de 5 bilhões de euros até 2027, mas descartou demissões compulsórias. Até março de 2024, cerca de 5.500 funcionários das áreas administrativa, P&D e TI aderiram a programas de desligamento voluntário. A empresa adiou para 2027 o pagamento de bônus a quase 75% da força de trabalho na Alemanha e propôs ampliar a jornada semanal de 35 para 40 horas sem aumento salarial. Executivos indicaram que algumas funções podem ser transferidas para outros países. A Mercedes registrou baixas contábeis de mais de 700 milhões de euros devido à concorrência na China, embora o lucro líquido do segundo trimestre tenha subido 13,5%, para 1 bilhão de euros. O lucro operacional da divisão de automóveis caiu um quarto, para 909 milhões de euros.

Audi sob pressão com possíveis fechamentos

A Audi, controlada pela Volkswagen, planeja eliminar até 7,5 mil postos na Alemanha até 2029, sem demissões compulsórias, por meio de programas voluntários e aposentadorias antecipadas. No entanto, a fábrica em Neckarsulm foi incluída pela controladora entre as unidades que podem ser fechadas em 2030, afetando cerca de 15 mil trabalhadores.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

As montadoras alemãs, que já foram símbolo de força industrial, agora enfrentam a necessidade de se reestruturar profundamente para competir com os fabricantes chineses de veículos elétricos, que ganham terreno em todo o mundo.