Minoria da EMAE que questiona venda à Sabesp adia assembleia
Minoria da EMAE adia assembleia sobre venda à Sabesp

Acionistas minoritários da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) conseguiram, na última segunda-feira, adiar a assembleia geral que votaria a proposta de venda da companhia para a Sabesp. A decisão atende a um pedido de investidores que representam cerca de 15% do capital social e questionam o valor oferecido pela estatal paulista.

Motivação do adiamento

O grupo minoritário alega que o laudo de avaliação independente, encomendado pela administração da EMAE, subestima o real valor da empresa, especialmente considerando seus ativos de geração de energia e o potencial de crescimento no mercado de saneamento. "O preço proposto não reflete o valor justo da EMAE. Temos estudos que indicam uma diferença de pelo menos 30% em relação à avaliação oficial", afirmou o representante dos minoritários, Carlos Albuquerque, em entrevista ao blog.

A assembleia, que estava marcada para 10 de agosto, foi remarcada para 20 de setembro, dando tempo para que os acionistas apresentem seus próprios laudos e tentem convencer os demais investidores.

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Detalhes da proposta

A Sabesp ofereceu R$ 1,2 bilhão pela EMAE, valor que inclui a dívida líquida da empresa. A operação faz parte do plano de expansão da Sabesp no setor de água e energia, mas enfrenta resistência de parte dos acionistas, que veem a empresa como estratégica para o estado de São Paulo.

De acordo com a administração da EMAE, a venda é necessária para garantir investimentos e evitar a diluição de capital. "A proposta da Sabesp é justa e traz sinergias importantes. Estamos abertos ao diálogo, mas precisamos de uma decisão rápida para não perder oportunidades de mercado", disse o presidente da EMAE, João Pedro Silva, em comunicado.

Próximos passos

O adiamento foi comemorado pelos minoritários, que agora correm para apresentar uma contraproposta. Para isso, contrataram uma consultoria independente para reavaliar os ativos da EMAE. Se a divergência persistir, o caso pode parar na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou até mesmo na Justiça.

Especialistas apontam que a disputa reflete um movimento crescente de ativismo acionário no Brasil, onde minoritários buscam maior transparência em operações de fusão e aquisição. "O caso da EMAE é emblemático. Mostra que os minoritários estão mais organizados e dispostos a questionar valuations que consideram inadequados", comentou a analista de mercado Renata Lopes, da XP Investimentos.

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