Metais básicos têm ano volátil com pressão de alta em 2026
Metais básicos têm ano volátil com pressão de alta

O mercado de metais básicos enfrenta um dos períodos mais voláteis dos últimos anos em 2026, com cobre, alumínio e zinco oscilando fortemente diante de pressões de alta vindas de demanda aquecida por energia limpa e restrições do lado da oferta. O cobre, principal termômetro do setor, acumula alta de 18% no ano, cotado a US$ 9.840 por tonelada na London Metal Exchange (LME). Segundo analistas do banco Goldman Sachs, a expectativa é de que o metal continue subindo, podendo atingir US$ 11.000 até o fim do ano.

Cobre: demanda elétrica impulsiona preços

A aceleração da transição energética é a principal responsável pela alta do cobre. A Comissão Europeia anunciou novos investimentos em redes elétricas e veículos elétricos, enquanto a China, maior consumidora global, mantém ritmo forte de importações. "O cobre é o metal da eletrificação e, sem uma expansão significativa da oferta, o déficit deve se aprofundar", afirmou o analista sênior do Goldman Sachs, Michael Widmer. No primeiro semestre, a demanda global por cobre refinado cresceu 4,3% em relação a 2025, segundo o International Copper Study Group (ICSG).

Alumínio: energia cara e produção limitada

O alumínio também sente os efeitos da pressão de alta, com preços subindo 22% no acumulado do ano, para US$ 2.760 por tonelada. O principal fator é o encarecimento da energia elétrica na Europa, onde várias fundições reduziram operações. Na Islândia, maior produtora europeia, a produção caiu 5% devido a contratos de energia mais caros. A China, responsável por 60% da produção global, impôs cortes voluntários para cumprir metas de carbono. "Estamos vendo um mercado mais apertado do que o previsto", disse o presidente da Associação Internacional do Alumínio, John Smith, em entrevista ao Financial Times.

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Zinco: oferta restrita e estoques baixos

O zinco registra a maior alta entre os metais básicos em 2026, com ganhos de 25%, negociado a US$ 3.210 por tonelada. Os estoques monitorados pela LME caíram para o menor nível em 15 anos, reflexo do fechamento de minas na Austrália e no Peru. A demanda por galvanização, usada na construção civil, segue firme nos Estados Unidos e no Sudeste Asiático. De acordo com o International Lead and Zinc Study Group (ILZSG), o déficit global de zinco deve chegar a 200 mil toneladas em 2026, o terceiro ano consecutivo de escassez.

Perspectivas e riscos para o segundo semestre

Para o segundo semestre, os analistas apontam riscos de correção se a economia global desacelerar mais que o esperado. O Federal Reserve manteve a taxa de juros em 5,5% nos EUA, o que pode frear investimentos imobiliários e, por consequência, a demanda por metais. No entanto, a expectativa de novos pacotes de estímulo na China e a aceleração dos projetos de energia renovável na Índia devem sustentar os preços. "O cenário é de suporte, mas a volatilidade deve continuar, especialmente devido às tensões geopolíticas", concluiu Widmer.

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