As bolsas globais operam em forte queda nesta terça-feira, com destaque para o setor de tecnologia, que sofre uma liquidação generalizada. O movimento é motivado por preocupações com a política monetária do Federal Reserve (Fed) e os elevados gastos em inteligência artificial (IA).
Wall Street e tecnologia em queda
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street abriram em baixa, com o Nasdaq, que concentra empresas de tecnologia, registrando as maiores perdas. Investidores temem que o Fed mantenha os juros elevados por mais tempo, pressionando as avaliações das empresas de tecnologia. Além disso, a escalada dos gastos em IA levanta dúvidas sobre a rentabilidade futura do setor.
De acordo com analistas, a liquidação reflete um ajuste de expectativas após meses de alta impulsionada pela euforia da IA. “O mercado está reavaliando os fundamentos das empresas de tecnologia, especialmente aquelas que mais investiram em IA sem retorno imediato”, afirmou um estrategista de mercado.
Impactos no Brasil
No Brasil, o Ibovespa opera em queda, acompanhando o mau humor externo. O dólar e os juros futuros também sobem, refletindo a aversão ao risco global. A ata do Copom, divulgada hoje, reforçou a percepção de que o Banco Central vê custo elevado para levar a inflação à meta já em 2027, o que contribui para a pressão nos mercados locais.
O Tesouro IPCA+ voltou a ultrapassar 8,5% ao ano, com a combinação de aversão ao risco e a ata do Copom. Títulos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs, também apresentam taxas mais atrativas, segundo a XP.
Queda generalizada das ações de tecnologia
O movimento de baixa não se restringe aos EUA. Na Europa e na Ásia, as ações de tecnologia também despencaram. O índice STOXX Europe 600 Technology caiu mais de 3%, enquanto o Nikkei, no Japão, teve perdas puxadas por empresas como Tokyo Electron e Advantest. Na China, o Hang Seng recuou com pressão sobre as gigantes de internet.
Especialistas apontam que a correção era esperada após a forte alta do setor nos últimos meses. “O mercado está precificando um cenário de juros altos por mais tempo, o que reduz o valor presente dos fluxos de caixa futuros das empresas de tecnologia”, explicou um gestor de fundos.
Perspectivas e recomendações
Diante do cenário, analistas recomendam cautela com o setor de tecnologia no curto prazo. A XP iniciou cobertura da Compass com recomendação de compra, projetando potencial de alta de 50%, mas destacou que a empresa não está imune ao cenário macroeconômico. Já a Fortune reportou que um dos El Niños mais fortes custou US$ 5,7 trilhões ao mundo, e 2026 pode ser pior, adicionando incertezas ao cenário global.
No Brasil, a atenção se volta para a ata do Copom e as novas projeções para a Selic. A renda fixa segue como porto seguro, com taxas elevadas em títulos públicos e privados.



