Entre o início de um conflito corporativo e a decisão de levar o caso à Justiça, existe um intervalo em que acordos ainda são possíveis e quase sempre mais vantajosos para todos os envolvidos. Essa é a avaliação de Haroldo Augusto Filho, especialista em mediação empresarial, que defende o uso de métodos alternativos de resolução de disputas antes que o litígio judicial se torne inevitável.
O custo dos processos judiciais
Segundo Haroldo, o Poder Judiciário brasileiro enfrenta uma sobrecarga de processos, com mais de 80 milhões de ações em tramitação. Nesse cenário, a mediação surge como uma ferramenta eficaz para desafogar o sistema e, ao mesmo tempo, preservar relacionamentos comerciais. “Muitas empresas perdem não apenas dinheiro, mas também parcerias estratégicas ao optar por um litígio prolongado”, afirma o especialista.
Como funciona a mediação empresarial
Diferentemente da arbitragem, em que um terceiro decide a controvérsia, na mediação o profissional atua como facilitador do diálogo entre as partes. “O mediador não impõe uma solução; ele ajuda os envolvidos a enxergarem interesses comuns e construírem um acordo que atenda a todos”, explica Haroldo. O processo é voluntário, confidencial e pode ser realizado em poucas sessões, dependendo da complexidade do caso.
Vantagens em relação ao processo judicial
Além da celeridade – um processo judicial pode levar anos –, a mediação reduz custos com honorários advocatícios e taxas judiciais. Haroldo destaca que, em média, uma mediação bem-sucedida custa 30% do valor de um processo litigioso. “As empresas economizam tempo, dinheiro e desgaste emocional”, completa.
Quando a mediação é recomendada
O especialista recomenda a mediação para conflitos societários, disputas contratuais, questões trabalhistas e desentendimentos entre sócios. “Qualquer conflito em que as partes ainda tenham interesse em manter algum tipo de relação profissional pode ser mediado”, diz. Ele ressalta que a boa-fé e a disposição para negociar são fundamentais para o sucesso do método.
O papel do advogado na mediação
Haroldo enfatiza que a mediação não substitui a assessoria jurídica. “Os advogados das partes devem estar presentes para garantir que os direitos de seus clientes sejam preservados”, orienta. No entanto, o foco da mediação está na solução construtiva, e não na disputa adversarial.
Perspectivas para o futuro
Com a crescente valorização de métodos alternativos de resolução de conflitos, Haroldo acredita que a mediação empresarial ganhará cada vez mais espaço no Brasil. “O Judiciário está sobrecarregado, e as empresas buscam soluções mais rápidas e eficientes. A mediação veio para ficar”, conclui.



