Mudança de paradigma na medição de sucesso
As marcas mais maduras do mercado já entenderam que audiência e relevância são métricas distintas e que, muitas vezes, uma não acompanha a outra. Essa constatação, baseada em um estudo recente da consultoria de marketing BrandMetrics, revela que 67% das empresas consolidadas passaram a priorizar indicadores de engajamento qualitativo em detrimento do simples número de visualizações ou seguidores. A pesquisa ouviu 350 CMOs de empresas com mais de 15 anos de atuação no Brasil.
De acordo com o levantamento, a maioria desses profissionais reconhece que uma grande audiência pode ser enganosa se não houver conexão real com os valores da marca. “O volume de pessoas que veem um conteúdo não reflete necessariamente a capacidade de gerar negócios ou fidelidade”, afirmou Ana Paula Ribeiro, diretora de estratégia digital da BrandMetrics. Para ela, o foco excessivo em números de alcance pode levar a campanhas superficiais.
Diferença entre métricas de vaidade e métricas de negócio
A distinção entre audiência e relevância se torna mais crítica à medida que as plataformas digitais saturam. Marcas com décadas de mercado estão abandonando o que especialistas chamam de “métricas de vaidade”, como curtidas e compartilhamentos, para adotar KPIs como tempo de interação, taxa de conversão e sentimento da audiência. O estudo aponta que 58% das marcas maduras já reestruturaram seus departamentos de marketing para priorizar esses indicadores.
Entre os exemplos práticos, empresas do setor de bens de consumo e serviços financeiros se destacam. Elas passaram a medir a profundidade do relacionamento com o cliente, em vez de apenas a amplitude. “Não adianta ter 1 milhão de seguidores se apenas 5% deles compram ou recomendam a marca. O valor real está na relevância para a vida do consumidor”, complementa Ribeiro.
Impacto nas estratégias de conteúdo e investimento
A mudança de mentalidade também está alterando a alocação de orçamento. Em 2025, as empresas maduras reduziram em 22% os gastos com anúncios de grande alcance e redirecionaram esses recursos para campanhas segmentadas e produção de conteúdo personalizado. A tendência é que, até 2027, o investimento em relevância supere o de audiência em 40% das companhias pesquisadas.
Esse movimento reflete uma compreensão mais sofisticada do funil de vendas. Marcas que antes priorizavam o topo do funil agora investem pesadamente em ações de nutrição de leads e relacionamento pós-venda. “A relevância se constrói no longo prazo, com consistência e entrega de valor. A audiência, muitas vezes, é volátil e impulsionada por modismos”, afirma o relatório.
Conclusão para o mercado publicitário
O estudo conclui que a maturidade de uma marca pode ser medida pela sua capacidade de equilibrar alcance e relevância. Enquanto marcas jovens ainda buscam crescimento rápido de audiência, as mais experientes já colhem os frutos de uma relação mais sólida com seus públicos. Para os profissionais de marketing, o recado é claro: é preciso escolher entre ser grande ou ser importante. As marcas que optam pela relevância tendem a ter vantagem competitiva duradoura.



