A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 38,7 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 15% em relação ao mesmo período de 2025, quando o lucro foi de R$ 45,5 bilhões. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava lucro médio de R$ 40,2 bilhões, segundo pesquisa da Bloomberg.
Queda nos preços do petróleo impacta receita
A redução do lucro reflete principalmente a desvalorização do petróleo Brent no mercado internacional, que caiu 12% no trimestre, para uma média de US$ 72 por barril. Além disso, o real se valorizou 5% frente ao dólar no período, o que reduziu a receita em moeda local das exportações da companhia.
O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 62,1 bilhões, queda de 18% ante os R$ 75,7 bilhões do segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda recuou de 48% para 44%.
Produção de petróleo e gás se mantém estável
A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficou em 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa manteve o foco em projetos de águas profundas, com destaque para o pré-sal, que respondeu por 78% da produção nacional.
O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, afirmou em teleconferência com analistas: "O resultado mostra resiliência operacional, mas estamos atentos ao cenário macroeconômico adverso. Continuaremos focados em eficiência de custos e disciplina de investimentos."
Investimentos e dívida
Os investimentos (capex) totalizaram R$ 12,3 bilhões no trimestre, dentro do guidance anual de R$ 50 bilhões a R$ 55 bilhões. A dívida líquida encerrou junho em R$ 180 bilhões, estável ante março, com alavancagem de 0,9 vez o Ebitda.
O diretor financeiro, Rodrigo Araújo, destacou que a empresa mantém uma política de distribuição de dividendos atrelada ao fluxo de caixa livre. No trimestre, o fluxo de caixa livre foi de R$ 29,8 bilhões, suficiente para cobrir os dividendos declarados de R$ 20 bilhões.
Perspectivas para o segundo semestre
A estatal projeta preços do petróleo Brent entre US$ 65 e US$ 75 por barril no segundo semestre, com volatilidade devido a tensões geopolíticas e incertezas sobre a demanda global. A empresa também prevê câmbio médio de R$ 5,20 por dólar.
"Vamos continuar monitorando o mercado e ajustando nossa estratégia comercial para proteger a rentabilidade", completou Coelho. A Petrobras também anunciou a conclusão da venda de sua participação em dois campos maduros na Bacia de Campos, por US$ 1,5 bilhão, como parte do plano de desinvestimentos.



