A Amazon divulgou nesta quinta-feira (30) um lucro líquido de US$ 14,5 bilhões no segundo trimestre de 2026, mais que o triplo dos US$ 4,5 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado superou as expectativas do mercado, que projetava lucro de US$ 11,2 bilhões, segundo consenso da Refinitiv. As ações da empresa avançaram 8% no after-market, refletindo o otimismo dos investidores.
A receita total atingiu US$ 148,2 bilhões, alta de 18% em relação aos US$ 125,5 bilhões do segundo trimestre de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pela divisão de computação em nuvem AWS, cuja receita cresceu 25%, para US$ 28,4 bilhões, e pelo segmento de publicidade digital, que teve aumento de 30%, somando US$ 14,2 bilhões.
Impulso da AWS e publicidade sustentam resultados
A AWS, maior braço de lucro da companhia, continua sendo o principal motor de rentabilidade. A margem operacional da nuvem foi de 35%, acima dos 33% do trimestre anterior. O CEO Andy Jassy afirmou que a demanda por inteligência artificial generativa e infraestrutura de nuvem segue forte. "Estamos vendo um crescimento acelerado em soluções de IA empresarial, com clientes migrando cargas de trabalho críticas para a AWS", disse Jassy em teleconferência com analistas.
O segmento de publicidade, que inclui anúncios em buscas e na plataforma Prime Video, também registrou avanço significativo. A Amazon se consolidou como o terceiro maior player de publicidade digital nos EUA, atrás de Google e Meta. As vendas no varejo online cresceram 12%, para US$ 62,3 bilhões, enquanto as vendas em lojas físicas subiram 5%, para US$ 7,8 bilhões.
Custos controlados e investimentos em logística
A empresa conseguiu melhorar sua eficiência operacional, com custos de envio crescendo apenas 8%, abaixo do crescimento da receita. O número de assinantes do Amazon Prime ultrapassou 250 milhões globalmente. O fluxo de caixa livre operacional foi de US$ 21,3 bilhões nos últimos doze meses, contra US$ 9,8 bilhões no período anterior.
Para o terceiro trimestre, a Amazon projeta receita entre US$ 148 bilhões e US$ 153 bilhões, acima das estimativas de US$ 146,2 bilhões. O lucro operacional esperado é de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões. "Continuamos investindo em infraestrutura de data centers, robótica para centros de distribuição e capacidades de IA para entregar inovação aos clientes", destacou o CFO Brian Olsavsky.
Impacto no mercado e perspectivas
O resultado positivo reflete a resiliência dos negócios da Amazon em um cenário macroeconômico de juros elevados. As ações da empresa acumulam alta de 32% no ano. Analistas do JPMorgan elevaram o preço-alvo para US$ 220, citando o momentum da AWS e a expansão das margens. A Amazon também anunciou um programa de recompra de ações de US$ 20 bilhões, válido por dois anos.
O mercado reagiu com otimismo, e as ações subiram 8,2% nas negociações após o fechamento. "A Amazon está colhendo os frutos de uma década de investimentos em nuvem e logística", avaliou a analista Laura Martin, da Needham & Co. "O crescimento da AWS e da publicidade está gerando lucros muito acima do esperado, e a tendência é de continuidade", completou.



