Logística do e-commerce: margem de 4% a 10% ameaça crescimento
Logística do e-commerce: margens baixas ameaçam crescimento

O comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 225 bilhões em 2025, com 94 milhões de consumidores fazendo cerca de 435 milhões de compras por ano. A promessa de entrega rápida, porém, esconde uma equação desfavorável: as operadoras logísticas que sustentam esse modelo trabalham, em média, com margens de 4% a 10%, quando o mínimo para reinvestir em estrutura, tecnologia e crescimento é de 15%.

A matemática invisível do frete

Em um pedido de R$ 100 com frete de R$ 20, o consumidor enxerga um preço justo. Para a transportadora, esses R$ 20 precisam pagar combustível, pedágios, salários, manutenção de frota, seguros, roubo de carga, avarias, devoluções e erros de endereço. Com todas essas despesas, sobra pouco para manter a operação saudável.

O setor tem cerca de 250 mil operadores no Brasil, um mercado altamente fragmentado, onde qualquer empresa com alguns caminhões acredita poder competir. Quanto maior a fragmentação, maior a pressão por preço — e mais decisiva se torna a eficiência operacional.

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O paradoxo do crescimento sem disciplina

Crescer em volume parece sinônimo de ganhar dinheiro, mas, sem processos estruturados, cada novo pedido adiciona complexidade exponencial. Contratar mais motoristas, ampliar centros de distribuição e aumentar a frota só gera retorno se a operação atual já for enxuta.

Sem saber o tempo correto de uma separação, com rotas planejadas manualmente e perdas de 5% do faturamento com avaria e extravio, todo pedido novo drena margem. O problema não é a falta de demanda, e sim a ausência de visibilidade sobre as perdas.

Seis pontos onde o dinheiro some

O pedido passa por seis etapas até chegar à porta do cliente. Em cada uma há riscos:

  • Recebimento: conferência inadequada deixa mercadorias danificadas entrarem no fluxo.
  • Separação: estruturas sem divisão por zona de entrega criam gargalos em horários de pico.
  • Roteirização: o planejamento manual gera quilômetros extras diários.
  • Expedição: cargas mal distribuídas elevam o risco de avarias.
  • Transporte: trânsito, desvios e falta de monitoramento comprometem a eficiência.
  • Entrega: endereços errados e ausência do cliente geram tentativas adicionais e devoluções.

Isolados, parecem detalhes. Somados, explicam por que tantas operações ficam presas em margens de 10% quando poderiam operar perto de 15%.

Os números da eficiência

A solução passa por ganhos realistas de 5% a 10% em eficiência. Mapear tempos e movimentos, definir a separação correta, otimizar rotas e planejar contratações semanais são medidas iniciais. O resultado: para cada real investido em melhoria, o operador captura R$ 7 de retorno. Não é projeção agressiva, é histórico.

Reduzir o custo por entrega em 7%, diminuir perdas em 4% e melhorar a utilização da frota em 6% traz dinheiro real de volta ao caixa.

Na primeira fase, o foco é extrair o máximo da operação atual com disciplina de rotina, gestão previsível da força de trabalho e monitoramento de performance. Em três meses, a margem sobe, o custo por entrega cai e o SLA melhora. Na segunda fase, a empresa decide onde instalar um novo centro de distribuição, o que deve ser feito por frota própria ou terceirizada e como integrar previsão de demanda com recursos operacionais.

O dilema final para qualquer operador diante do crescimento do e-commerce: crescer em volume agora e corrigir a eficiência depois, ou disciplinar a operação primeiro para crescer com rentabilidade sustentável?

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