Isabela Chusid fundou a Linus em 2018, aos 23 anos, com um investimento de R$ 53 mil e a consultoria do irmão Alan Chusid, um dos fundadores da fintech Neon. A motivação veio de uma necessidade pessoal: ela sofre de hiperfrouxidão ligamentar, condição que exige calçados firmes para estabilidade. Aliada a isso, a empreendedora queria que seus produtos fossem sustentáveis. A solução foi o PVC microexpandido, um plástico que, segundo ela, oferece firmeza, durabilidade, é 100% reciclável, vegano e composto por 70% de fontes renováveis. “Se usado da forma correta, pensando o pós-vida, desde o momento da concepção, o plástico não é necessariamente um vilão”, afirma Chusid em entrevista ao Estadão.
Trajetória de crescimento e expansão
Em oito anos, a Linus saiu de um modelo e três cores para mais de 30 cores, opções para crianças e adultos, incluindo saltos plataforma. A marca abriu lojas físicas e está presente em 523 pontos de venda no Brasil, com parcerias como a Riachuelo. Chusid não divulga números de balanço, mas informa que o faturamento cresceu 30% em 2025, com projeção de aumento de até 50% para 2026. Uma nova matéria-prima, já patenteada, deve chegar às sandálias em 2028. “Não é algo que temos agora no radar”, diz sobre fusões ou venda de participações.
Sustentabilidade como pilar
A CEO explica que a sustentabilidade sempre esteve presente em sua vida. “Quando eu tinha quatro anos, aprendi na escola o que era reciclagem, e ficou. Brinco que eu era a ‘ecochata’ da família.” A busca por um material adequado a levou ao PVC microexpandido, que, apesar de mais caro, permitiu aliar conforto, design e baixo impacto ambiental. “Não inventamos a roda com essa matéria-prima, só que é uma matéria-prima mais cara. Então, estávamos dispostos a abrir mão de uma margem em uma ponta para conseguir chegar em um material melhor.” O modelo de negócio nativo digital, sem intermediários, ajuda a equilibrar os custos. As sandálias custam a partir de R$ 198.
Concorrência e comportamento do consumidor
A Linus enfrenta a concorrência de plataformas asiáticas que oferecem produtos mais baratos. Chusid observa que a geração Z, grande consumidora dessas plataformas, também é engajada em causas sustentáveis, mas tem poder de compra limitado. “É um paradoxo que eles vivem.” A marca tem se adaptado, entrando no TikTok Shop e em programas de afiliados. Sobre a “taxa das blusinhas”, ela não vê grande impacto, pois o Brasil já é um grande produtor de calçados baratos.
Material reciclado e novas matérias-primas
Atualmente, as sandálias contêm de 20% a 30% de material reciclado. Chusid considera o percentual baixo, mas explica que é o limite para manter a resistência e segurança do produto. A empresa já depositou a patente de uma nova matéria-prima que, durante a produção, capta mais CO2 do que emite. A previsão é que esteja disponível a partir de 2028.
Desafios e futuro
O principal gargalo para escalar uma marca sustentável no Brasil, segundo Chusid, é encontrar fornecedores dispostos a produzir em pequena quantidade com insumo mais caro. “Hoje, o nosso material ainda tem 30% de fundos fósseis. Então, estamos enfrentando altas descontroladas no mercado e o insumo está crescendo muito de preço.” Ela defende a corresponsabilidade entre empresas, governo e consumidores. “Se queremos fazer melhor, tem que ir todo mundo junto. Não adianta só eu fazer um produto mais sustentável. Você tem que escolher comprar um produto mais sustentável, senão o negócio não para de pé.”
Sobre o futuro, Chusid afirma que a Linus está apenas no começo. “Tem muita coisa para nós fazermos ainda. Eu tenho ideias infinitas na minha cabeça. Então, o futuro está aí, estamos escrevendo.”



