Klubi: como o consórcio foi repaginado e virou negócio bilionário
Klubi: consórcio repaginado vira negócio bilionário

O Klubi, fintech autorizada pelo Banco Central a operar consórcios, está revolucionando um produto financeiro tradicional ao digitalizá-lo e adaptá-lo ao consumo moderno. A empresa já responde por mais de 70% do expressivo crescimento do setor de consórcios de eletrônicos no país, segundo dados do Anuário do Sistema de Consórcios 2026, da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC).

A estratégia de repaginar o consórcio

Fundada por Eduardo Rocha, a empresa partiu do princípio de que o consórcio, embora antigo e muitas vezes visto com desconfiança, poderia ser repaginado para atender às necessidades atuais. Em vez de competir apenas nos segmentos tradicionais de imóveis e veículos, o Klubi diversificou seus produtos para incluir smartphones, notebooks e viagens, aproximando o consórcio do consumo do dia a dia.

Para viabilizar essa estratégia, a empresa desenvolveu tecnologia proprietária, automatizando grande parte da operação e reduzindo custos com mão de obra. Além disso, adotou o modelo B2B2C (Business to Business to Consumer), firmando parcerias com grandes corporações que já possuíam base de clientes sólida. O exemplo mais emblemático é a parceria com a Vivo para a venda de aparelhos celulares de forma planejada.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto econômico favorável

O momento econômico brasileiro favorece o modelo de negócios do Klubi. Segundo o Banco Central, mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, com quase metade da renda comprometida. Com taxas de juros do cartão de crédito e crédito pessoal frequentemente acima de 50% ao ano, o consumo imediatista torna-se insustentável. Nesse cenário, o consórcio surge como uma alternativa de consumo planejado, sem juros, atraindo consumidores que buscam previsibilidade financeira.

De acordo com o Anuário do Sistema de Consórcios 2026, da ABAC, o segmento de eletroeletrônicos e bens móveis duráveis cresceu 141,3% apenas em 2025, marcando o segundo ano consecutivo de alta acima de 120%. No setor como um todo, a movimentação alcançou R$ 500,27 bilhões, com recorde de mais de 12 milhões de participantes ativos.

Digitalização transforma a experiência

A digitalização é a principal força motriz por trás da expansão do Klubi. O consórcio, antes associado a processos burocráticos, ganhou uma interface fluida: após a contemplação, a aquisição do produto é feita diretamente pelo aplicativo, com pagamento via Pix em lojas online ou físicas. O sistema conta com travas de segurança inteligentes: se o eletrônico for mais caro que o crédito, o app calcula e solicita a diferença; se o item fugir das regras, a operação é bloqueada na hora.

Os smartphones lideram a procura. Como afirma Eduardo Rocha, CEO e fundador do Klubi, “o celular virou a nossa principal infraestrutura pessoal, concentrando trabalho, banco e entretenimento”. O consórcio de eletrônicos, nesse contexto, não é apenas sobre adiar o consumo, mas sobre estruturar uma troca de aparelhos com consciência e sustentabilidade financeira.

Perfil do novo consumidor

O principal traço em comum da nova base de clientes do Klubi não é demográfico, mas comportamental. Há concentração na faixa dos 30 anos e forte avanço da classe média, mas o que realmente conecta esses consumidores é a migração da gratificação imediata para o consumo planejado, em meio a uma economia incerta.

A trajetória do Klubi demonstra que a inovação não precisa vir de invenções radicais. Muitas vezes, o próximo grande diferencial competitivo está em um produto do passado que apenas precisa ser polido para os tempos atuais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar